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Viver despenteada

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Por Autor desconhecido

O texto chegou pelo e-mail, sem autoria.

DESCABELE-SE E APROVEITE! 

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar a pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…

Então, como sempre, cada vez que nos virmos eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique seria… e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita…!
A pessoa mais bonita que posso ser!

A única coisa que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
eu veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma muito, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!

O pior que pode acontecer é que, rindo diante do espelho, você precise se pentear de novo….

A foto é de Antonio Carlos Castejón, em galeria no Flickr

Se o Lula diz, também digo

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Por_ Lélia A.

O único link deste post com os 50 é o fato de a mulher protagonista da história que conto adiante estar nos fifties. De resto, o tema não tem idade, porque tem a ver com civilidades.

A nossa fifties caminhava na praça com seu cachorro e catou o cocô do bicho. Ainda bem, porque muitos ainda não assimilaram o hábito. Gente como eu, que às vezes (verdade, só às vezes mesmo!) ainda esquece o saquinho e faz cara de paisagem diante do inevitável. Ou cara de muito atarefada, pessoa que compreensivelmente pode esquecer um detalhe desses na vida.

Bem, o fato é que ela está lá, passeando, e leva seu saquinho na mão para catar o cocô cidadão. Mas não faz isso, assim, sem mais nem menos. Embora o cão não selecione a melhor oportunidade para dar a “marcada” no território, a dona espera o melhor ângulo social para recolher o dejeto, atenta ao movimento rotatório na praça. Quanto mais gente passar ali no pedaço, na hora, mais alta a sua satisfação pelo reconhecimento do ato cidadão.

E ela não se inclina em direção ao alvo, assim, descuidadamente. Monta a cena quase com solenidade. Empunha o saquinho muito séria e abaixa-se como recomendam as boas regras ortopédicas para evitar uma travada de coluna: primeiro curva os joelhos, depois se agacha meio de ladinho, um jeito mais delicado e, finalmente, estica a mão que ensaca o cocô. Na sequência, dá o nó no saco e caminha resoluta para a lata de lixo mais próxima. Não ganha elogios, mas adoraria. E segue feliz da vida pelo dever exemplarmente cumprido. Ela não é qualquer uma. É cidadã valorosa!

Ela estava visivelmente feliz, o cachorro, evidente, nem aí. Eu achei graça, mas com certa tristeza. Que miséria de cidadania temos para alguém se sentir tão orgulhoso por catar um cocô?

Deve ser a mesma carência cidadã daquele motorista que passa na estrada quase parando em frente ao posto policial. Ele parece suplicar o olhar e o sinal do guarda para fazê-lo parar. Está doidinho para mostrar, cheio de orgulho, que tem todos os documentos em ordem, o carro perfeito, tudo na medida. E,uau!, ouvir aquele “muito bem, o senhor pode seguir”.

Não quero denegrir os bons hábitos desses indivíduos, mas eles não são o outro lado da moeda (o lado oposto de quem detona, agride) como expressão da falta de cidadania? Precisariam se sentir tão especiais se recebessem o devido respeito por seus direitos?

Minha intuição diz que não. Por se sentirem tão invisíveis e desprezados no espaço social, a coleta do cocô ou a exibição do documento parecem funcionar como o pedido patético de reconhecimento de valores que andam muito derrotados. E esses personagens habitam certamente os andares superiores da pirâmide. Na base e até fora dela, cidadania é coisa que está abaixo do cocô do cavalo do bandido. É o povo que nem se dá conta de cocô de cachorro. Para eles, é só mais uma merda. Se o Lula diz, também digo.

A foto No pooping! é de Johannal, no Flickr.

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