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A mulher nua, a menopausa e os golfinhos

Globicephala macrorhynchus

Depois de ler, A Mulher Nua, do zoólogo e escritor inglês, Desmond Morris, tive a certeza de que o melhor antídoto contra a arrogância e a onipotência é mergulhar na mente de alguém que consegue ver o mundo como um imensíssimo playground, onde a Natureza brinca de pega-pega, esconde-esconde e outros jogos mais ou menos divertidos de transformação. Neste espaço, longe de ser a “sublime criação do Onipotente”, como escreveria o poeta antiguinho nas páginas amareladas, os seres humanos são apenas parte da brincadeira e a bola, sinto dizer, não é de ninguém…é do campo!

Virando as páginas do livro, vou descobrindo uma humanidade feita de concretudes, nada a ver com a aquela urgência de virar um puro espírito ainda nesta encarnação. Esta humanidade biológica guarda em suas às vezes meio desajeitadas tentativas de adaptação algo de tranqüilizador: não importa o que façamos, nem importa quais são nossos sonhos, o volume da nossa conta bancária nem o quão poderosos possamos nos considerar, no final, somos uma equação quase perfeita, uma espécie bem sucedida, um experimento apenas satisfatório da Natureza, nós e as abelhas…

Uma espécie muito adaptável
Aprendo no livro que o segredo do nosso sucesso como espécie é “a capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores”, onde procriamos em condições que qualquer outro macaco decente julgaria insuportáveis, ou seja, do ponto de vista biológico, a gente aceita tudo, muito mais do deveria….O fator número dois do incrível desempenho dos homo sapiens é nossa curiosidade…é ela que nos empurra para frente, e é graças a ela que dizemos sim primeiro e depois é que vamos pensar no que fazer..

…e brincalhona!
Nosso zoólogo vai além e faz poesia em vez de ciência quando nos define como uma espécie brincalhona por excelência: “Outros animais brincam enquanto são jovens, mas perdem esta qualidade quando amadurecem. O homem continua brincando e se divertindo por toda vida – é um Peter Pan que nunca cresce”. Neotenia, é a palavra científica boa para caracterizar este nosso lado brincalhão. É claro que vamos mudando de paladar em relação às nossas brincadeiras favoritas à medida que crescemos. Chamamos o jogo de arte, de futebol, de música e, viva!, podemos nos divertir, explorar, correr riscos, criar, certos de que estamos fazendo o melhor possível pela nossa sobrevivência como espécie.

E fico pasma ao pensar que não adianta buscar no nosso lado racional, sério e lógico as razões do nosso brilhante desempenho. É nossa capacidade de diversão que nos torna tão bem resolvidos como as abelhas..sim porque vocês hão de concordar comigo, abelhas e formigas são imbatíveis: quando tudo o mais falhar, as abelhas vão estar lá produzindo mel e as formigas vão carregar nossos restos reduzidos a pó para dentro de seus organizadíssimos formigueiros….

Coisas que você pode saber sobre nós, mulheres, só pelos cabelos
E, embora o livro percorra todo o corpo feminino, fiquei muito impressionada com a quantidade de informações sobre nós que os cabelos oferecem aos cientistas…

Por exemplo, você tem alguma idéia de por que temos tanto cabelo? Ou, mais especificamente, por que a fêmea humana desenvolveu esta cabeleira? Então divirta-se com a idéia de que esta é uma característica que compartilhamos com os galos e com os leões. Nossa farta cabeleira nos distinguia de todos os outros macacos. Ainda mais se a gente imaginar que proporcionalmente aos outros primos símios, nosso corpo quase não tem pêlos. Éramos exóticas e inconfundíveis criaturas brancas com tufos de cabelos ondulando ao vento.

E por que somos imberbes? Bom, ser imberbe é uma característica dos fetos dos macacos. Adultos são tradicionalmente peludos. Menos nós. Está certo, alguns homens ainda preservam uma certa cobertura capilar, mas nada que proteja ninguém numa noite de inverno na Sibéria. Que bizarros seres!

Alguns estudiosos acreditam que perdemos os pêlos para poder nadar. E que os longos cabelos das fêmeas humanas eram perfeitos para os bebês humanos agarrarem, sobretudo quando ambos mergulhavam, em busca de comida.

Além disso, somos seres diurnos, por mais que muitos de nós se vejam como criaturas da noite. E caçávamos durante o dia. Portanto, a outra hipótese para esta falta de pêlos de um lado e excesso de outro é que os cabelos protegiam as cabeças humanas do sol e o corpo despelado ajudava a gente a não sofrer tanto com o calor das savanas da África. Ah, sim, nascemos na África, provavelmente todos nós, só depois fomos nos espalhando…

Excesso de bagagem
E neste caminhar meio que sem eira nem beira dos nossos ancestrais íamos adquirindo outras características inusitadas, burilando nossa incipiente humanidade. Humanos dos trópicos, humanos polares, humanos do deserto…Digamos que você fosse um homo sapiens do deserto, filho de uma longa cadeia de outros homo sapiens do deserto. Ao longo dos séculos, você teria adquirido algumas peculiaridades muito úteis, como uma pele mais resistente ao sol ou uma incrível familiaridade com os vizinhos, no caso, os camelos, por exemplo. A meta da Natureza é preservar, é empurrar para o futuro seus rebeldes filhos…era, portanto, fundamental que a gente conseguisse distinguir as criaturas bem adaptadas aos vários ambientes, certo? Quem quer casar com um humano polar que pega um resfriado toda vez que a temperatura cai a 20C?

Pois, então entra em cena a Natureza e improvisa um pequeno milagre. Sim, daqueles bobinhos e simples, truque banal, indigno mesmo dos espantosos poderes da Grande–Mãe: assinalar estas mudanças com sinais vistosos e de grande efeito: alguém pensou nos cabelos? Acertou…

Daí nasceram nossos cabelos escuros e grossos ou fininhos e loiros, ruivos para se destacar nas paisagens desérticas, escuros e lisos para deslizar pela neve. E com certeza teríamos por aí formidáveis criaturas de cabelos verdes ou azuis (naturais, é claro!) se não fosse nossa pressa…

Lá pelas tantas, começamos a viajar de um lado para o outro. Cruzávamos o planeta apenas por diversão ou por curiosidade. E uns e outros se apaixonavam do lado de lá, e acabavam ficando…Inúteis nossas distinções que agora, só vão atrapalhar, separar, dividir quando já ninguém precisa mais disso. Ar-condicionado no verão, calefação no inverno, fogueiras de São João e leques, quem precisa destas obsoletas vantagens adaptativas? Pois é, quem diria, pensou a Mãe-Natureza, esses meninos afobados!!!!!

Cabelos longos e a loira que mora em nós
Mas a gente gostou da brincadeira e resolvemos aderir. Penteados, perucas, tintas…sempre digo para meu cabeleireiro que a cabeça é um maravilhoso campo de experimentação. E quando mudar de vida é difícil, por que não mudar de cabelo?

Presos, soltos, os cabelos femininos são o máximo…os cerca de 140 mil fios que crescem uns 13cm por ano constituem o maior atributo de feminilidade da raça. E são inegavelmente atraentes para nossos parceiros! Daí que mesmo quando a gente inventa cabelos curtíssimos, isso não é senão uma outra forma de provocação. É como dizer: “viram? Não preciso de cabelos longos para ser atraente…”

Segundo o zoólogo, no entanto, a estratégia não funciona. Sex appeal é cabelo longo, esvoaçante, ondulado feito capim na paisagem ensolarada… Tanto é que em algumas comunidades religiosas, ao longo dos milênios, a prudência mandava escondê-los, como solução infalível para neutralizar o poder erótico da cabeleira selvagem da fêmea humana!

E, antes que você se canse e vá embora procurar outras diversões virtuais, mais um comentário muito elucidativo, prometo! Já entendemos a competência sedutora dos cabelos femininos, mas e as loiras. Existe alguma explicação para o fascínio das loiras?

E a resposta é sim. Uma primeira razão é que os cabelos loiros são mais finos e leves, suaves ao toque, exatamente como o dos…bebês! Vamos lá, a grande maioria dos bebês tem a pele mais clara do que a de seus pais, os olhos mais claros, a pele mais fina, não é? Então podemos imaginar que as loiras passam uma imagem mais infantil do que as morenas, certo?

Agora, vamos examinar nossos parceiros masculinos. A natureza, prevenida, achou por bem dotá-los de alguns equipamentos adicionais para garantir que eles cuidassem como deviam dos filhotes da raça. Nesta mochila de viagem biológica está uma reação entusiasmada à simples visão de um bebê macio e fofo. A loira vulnerabilidade das loiras, artificiais ou não, é simplesmente irresistível para os machos da espécie!

Mistérios da menopausa
Pois é, foi mesmo uma viagem anatômica esta leitura…e os comentários do zoólogo vão traçando novos e inusitados mapas sobre a nossa pele humana. E ainda que você não tenha nenhuma intenção de virar loira, é divertido entrar no jogo da Natureza. Também não faz mal para ninguém de vez em quando lembrar de onde viemos e para onde queremos ir…

Agora, fiquei pasma mesmo quando, entusiasmada com o autor de O Macaco Nu, comecei a procurar no Google as razões evolutivas para a MENOPAUSA! Descubro que só as fêmeas humanas e uma espécie de golfinho (os Globicephala macrorhynchus) passam por isso. As outras fêmeas mamíferas simplesmente vão envelhecendo, envelhecendo, assim ‘inteiras’ e um belo dia morrem…nosso aparelho reprodutor, ao contrário, pára de funcionar muito antes do resto do corpo estar pronto para dizer ‘cai o pano’. 

Junto, talvez, com as golfinhas imensas que nadam nas águas menos frias dos oceanos do norte do planeta, somos as únicas fêmeas preparadas biologicamente para virar ‘avós’.

E, acreditem, essa é uma das possíveis explicações científicas para fenômeno tão raro. As avós revelaram-se tão úteis no cuidado dos filhotes que viraram padrão da espécie!  Assunto, sem dúvida para uma próxima conversa nossa porque acabei de encomendar o livro Grandmotherhood: The Evolutionary Significance of the Second Half of Female Life, compilação do trabalho de vários pesquisadores sob a bandeira da Rutgers University Press…Depois conto aqui neste blog…

Essa fronteira do conhecimento onde homens e animais se encontram é ou não é fascinante?
O livro não é novo, mas é ideal para ler naqueles dias em que você acorda de dedo em riste e achando que sabe mais do que qualquer um sobre todas as coisas….A Mulher Nua, Desmond Morris, Editora Globo

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A foto mostra um grupo de golfinhos e é da Pilot Whale Organization. Quem sabe se alguns deles não serão já avós?

Palestras sobre Saúde da Mulher

Conhecer o próprio corpo é um desafio para as mulheres. Estamos sempre tentando entender, explicar ou dar algum sentido para nossas metamorfoses: esse corpo cheio de altos e baixos, inundado de hormônios, desejos, aflições, “ando chorona, doutor”, “é a progesterona”, “hummmm, quem diria, progesterona?” Aprendemos a reconhecer ciclos, a antecipar e a driblar os padrões. E dá-lhe prímula contra a TPM, shiatsu para dor de cabeça no meio do ciclo, ponstan para cólica…

Mais do que tudo, no entanto, esse conhecer o próprio corpo é um conhecer-se, feito de explorar nuances e de mergulhar em mistérios, de conhecimento e de informação.

No dia 14 de novembro, o Femme, Laboratório da Mulher, clínica de diagnósticos em São Paulo, especializada no atendimento do público feminino, vai reunir professores, médicos e especialistas de várias áreas para falar exatamente de Saúde da Mulher. O encontro vai ser no MAM, dentro do Parque do Ibirapuera, é grátis e dura o dia inteiro. São palestras e debates sobre todos aqueles temas que nos tiram o sono, como TPM, gravidez, libido, prevenção do câncer e, pensando mais nas Fifties, saúde e sexualidade na 3a. idade.

Aliás, o Fifties aproveitou a chance do evento e foi perguntar para o dr. Rogério Ramires, diretor do Femme e especialista em Patologia do Trato Genital Inferior pela Sociedade Brasileira de Medicina, se existiria algum coquetel de “bem-estar”, aquela receitinha mágica que deveríamos incluir logo no café da manhã e que nos ajudaria a viver uma menopausa feliz.

Para o doutor Ramires, “é a possibilidade de repor os hormônios que vamos perdendo com a menopausa que representa uma verdadeira revolução”. Ou seja, viva a reposição hormonal. Achou fácil? Pois é, mas nem só de equilíbrios químicos se faz a tal longevidade feliz.  ”Os principais alicerces da qualidade de vida são a boa alimentação, a prática de exercícios físicos regularmente, o lazer, o sono e o gerenciamento do stress. Esses bons hábitos é que vão levar a pessoa a ter saúde, muito mais que qualquer medicação”, ensina o doutor Ramires. Notou a palavra “hábito”? Deu para sentir o peso disso que ele chamou de “gerenciamento do stress”?

Por essas e por outras tantas, organize-se para no dia 14, se estiver em São Paulo, ir até o MAM assistir às palestras e participar dos debates. Ah, e aquele meu amigo, dr. Roberto Cardoso, professor da Faculdade de Obstetrícia da UNIFESP, que desenvolveu um projeto incrível de meditação com gestantes, vai estar lá para dar uma aula sobre o assunto.

Veja a programação no quadro aí embaixo e cadastre-se para participar clicando neste link

Campanha Saúde da Mulher 2009

Campanha Saúde da Mulher 2009

Biologia e tango

No intervalo de uma milonga e outra pessoas desconhecidas, da platéia, levantam-se e vão a pista saudar o tango. vana_gwen's photostream
A entrega do tango, foto de Vana Gwen, Buenos Aires, fevereiro de 2009

Tem um dia que você acorda e descobre que vestiu seu corpo pelo lado do avesso. A etiqueta pendurada, meio rota, não deixa dúvidas: Adília Belotti Data de Fabricação 04/54 Data de validade ilegível, Made in Brazil, ufa, ainda bem, sou um produto local, só me faltava ter sido jogada num conteiner de Adílias brasileiras Made in China!

Nenhuma explicação, nada, mas aquele corpo do avesso começa a incomodar: a pressão sobe, os hormônios enlouquecem, comer alface engorda, colesterol bom baixo, ruim alto, curva glicêmica na montanha-russa, quem é esse corpo afinal, que até então eu desconhecia e que agora, do avesso, me obriga a prestar atenção.

Os exames de rotina são páginas e páginas de letras miúdas e, em vez de minutos, o tempo gasto nos laboratórios a gente conta em dias!!!! Esse corpo do avesso tem uma geografia própria, feita de palavras com muitas sílabas: creatinina soro, transaminase glutamico oralacetica soro, hemocisteína, opa, uma palavra conhecida, embora meio passè: urina, exame de…

E segue uma lógica peculiar: calor ou frio por exemplo, desde quando foi que isso deixou de ter a ver com o clima?

É suscetível, como os gauleses: “Água com gás pode aumentar e pressão”, me diz o médico. “Jura, doutor?” Água??? É eles injetam gás na água e o lado do avesso do seu corpo detesta…

E rabugento: Teste de esteira? Coisa perigosíssima…o médico se compadece, “pode parar, não está tão mal, mas…”

Reposição disto, daquilo, vitamina para isso e aquilo. Meu avesso é também enjoadinho, lembra um… poodle: “Além do protetor solar 30, que você deve usar mesmo que não vá tomar sol” — sempre desconfiei daquelas luzes fluorescentes, não bastava serem horrendas… –, “Adília, preste atenção para não inverter a ordem”, sim, sim, estou prestando, “bom, vou indicar um creme para o contorno dos olhos, passe pela manhã e à noite, outro para os cantos da boca, S-E-M-P-R-E, um para as rugas, mas só à noite, DMAE para um “efeito cinderela” instantâneo, sim, e hidratação em todo o corpo, M-U-I-T-A, umas três vezes por dia!!”, tento acompanhar as recomendações da dermatologista de pele perfeita, mas viajo: Três vezes? Vai dar tempo de viver nos intervalos?

À noite, num jantar, sento ao lado de um biólogo. Que seres fabulosos os biólogos! Supremos sacerdotes do avesso de todas as coisas! Nunca mais um linguado grelhado será o mesmo, aliás! Ele e eu vizinhos na teia da vida, junto com as cenouras e os alfaces, somos todos alimento, os hindus é que estavam certos… Mas voltando ao avesso, você sabia que, do ponto de vista da natureza, somos apenas um “ovo” supersofisticado com uma única e nobre função: garantir que nossa semente chegue sã e salva ao futuro? Sabia? Pois é exatamente isso: a mais valiosa e a única coisa verdadeiramente imortal em nós são nossos…óvulos!
Levo alguns dias para começar a gostar da idéia de ser um ovo: tem um certo encanto a imagem, não há dúvida!

Mas, e agora? Missão cumprida, o que faz o ovo? Entro esbaforida no consultório (esbaforida é um estado meio que permanente, afinal, você está do avesso!): “Tive uma idéia, doutor, já tenho os filhos que queria, graças a Deus, já fiz meu trabalho de ovo, que tal esvaziarmos tudo? Seios à prova de mamografias, de puríssimo silicone made in china, esse sim, e uma barriga lisinha, e vazia, que tal, hein, hein??? Nada de exames, nada de preocupações…” Ele ri, não me leva a sério esse homem…

Desisto. E resolvo: Vou levar meu avesso para aprender a dançar tango!

 

Bocas barulhentas demais?

blah blah blah & blah, tirada do nalilo's photostream, no flickr
O nome da foto do álbum do nalilo, no flickr, acreditem é “blá,blá,blá”. E não parece mesmo?

Na cena final de um ótimo filme (Revolution Road, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet), um casal pra lá dos cinqüenta vê TV. Ele nota que ela está falando, então tira um protetor de ouvido para ouvi-la. Depois de observá-la por alguns poucos segundos, recoloca o protetor e volta o olhar para a TV. Ela segue falando…

A cena tem humor, mas é também tristinha. Lembrei-me de cenas reais de casais na meia idade em que presenciei o mesmo fenômeno: elas falando, eles meio que fingindo ouvi-las, por vezes até com carinho. Outro dia aconteceu comigo. Acordei com um sonho cheio de penduricalhos interessantes. No café da manhã, comecei a comentar animada. O retorno: “Ah, é?…hã…ah, é?”. Não dei bola, ele não é muito chegado mesmo a esse terreno dos sonhos. Na hora do jantar, no mesmo dia, estava lá eu entabulando outra conversa. O retorno: “Sei… Já acabou ou vai comer salada?… Jan, por favor, pode encerrar aqui…” E lá veio a empregada rapidinho tirar a mesa, sorriso maroto de cumplicidade na cara – ela também já entrou nos cinqüenta.

Antes que eu perceba algum protetor nos ouvidos dele, resolvi pesquisar informalmente o assunto. E achei coisas incríveis!

- Um estudo feito em 2005 na universidade britânica de Sheffield diz que o homem é incapaz de ficar escutando uma mulher falar por muito tempo. Ele fica esgotado por razões fisiológicas, desliga e não escuta mais. As mulheres teriam uma voz com sons mais complexos, em função de diferenças no tamanho e forma de suas cordas vocais e laringe, “e um esforço em atender durante muito tempo a conversa feminina poderia afetar a zona cerebral masculina”. Que me perdoe o pesquisador, mas isso não seria indício mais evidente de alguma deficiência, talvez falta de exercício, no cérebro masculino?

 
- Outra pesquisa de 2005, esta nacional, da USP, analisa a voz da mulher na menopausa,  apontando especificidades sob a influência de hormônios na laringe. Cita estudos clássicos que já constataram “rouquidão, compressão de registro, menor flexibilidade das pregas vocais, estabilidade vocal reduzida, perda de certas freqüências, rebaixamento da vibração intraglótica …”. O estudo não faz afirmações sobre o que me interessava mais: a voz da mulher dos cinqüentas fica pior ou melhor? Bom, cara fifty, faça uso de sua já comprovada maior habilidade verbal e aplique a informação da forma que lhe for mais conveniente.

 

- Notícia divulgada pela BBC : Na Universidade McMaster, do Canadá, foram realizadas gravações de falas de mulheres em períodos diferentes do mês. Ouvidas por homens e mulheres, as vozes avaliadas como mais atraentes eram de mulheres no pico do período fértil. Duas lições a tirar a respeito: as vozes masculinas nem foram consideradas atraentes; se você, fifty, ainda tem esses picos férteis, não desperdice conversando com o companheiro…

 

Anotem aí: aos 50, silêncio pode ser mais do que nunca a alma do negócio!

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