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Paris pode ser aqui

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Por_Tanya Volpe

Em SP temos alguns tantos restaurantes franceses. Uns simples, outros mais sofisticados. Há aqueles que se apropriam da palavra “ bistrot” para tentar nomear cozinha “simples”, que muitas vezes passa ao largo do menu esperado para essa categoria de restaurante. Há outros que  capricham tanto na decoração francesa parisiense que conseguem distrair a atenção da verdadeira razão de estarmos lá — a comida, fazendo com que nos sintamos em um “parque temático”. Temos, é certo, os “clássicos” que estão ali desde sempre, onde vamos para comemorações especiais.

E agora temos o Le Jazz, onde tudo parece estar na medida exata.

 A pequena sala lembra um restaurantezinho de quartier. A decoração, o ladrilho hidráulico no chão, os espelhos, a luz amarelada. Os garçons vestidos a caráter, com seus aventais de cintura baixa, e o maître de colete preto completam o cenário. Dois ou três se deslocam com agilidade pelo salão sob o olhar atento do Gil (Gil Carvalhosa, um dos proprietários), que está sempre de olho em tudo de uma maneira cordial, acolhedora, no exercício confiante da sua  boa formação.

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O público também lembra o de um restaurante “de lá”. Sentam-se lado a lado pessoas de diversas faixas etárias, estudantes, trabalhadores da região, grupo de senhoras, pessoas desacompanhadas, chegando até a nos dar a ilusão da existência democrática de uma classe média, como podemos observar  quando viajamos para certos países europeus.

 Acho que isso se deve aos preços cobrados ali que são um encanto à parte. Comida boa, bem servida e a preço justo.

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O menu enxuto, mas bem montado (por Chico Ferreira, chef e proprietário também), contempla alguns clássicos: Parmentier de rabada, brandade de bacalhau, filet au poivre e outro com molho béarnaise. E traz sempre duas opções de  peixes, uma opção com carneiro e outra com carne de porco. Uma pequena lista de saladas, sanduíches e entradas como a tábua de chacurterie acabam por contemplar todas os gostos e apetites. Sem falar no cassoulet e nas moules com fritas servidos nos fins de semana.

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O mesmo se repete nas sobremesas, onde para mim a estrela é o clafoutis de frutas vermelhas (eu adoro sobremesa quente com sorvete). Pouco doce como deve ser, o clafoutis é sempre  um final feliz até mesmo quando sai meio “chamuscado” demais nos momentos de muito movimento do restaurante. O sorvete artesanal da casa ainda pode melhorar bastante. É muito aguado e pouco batido.

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Prazeres de Viagem I

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Por Tanya Volpe

Hoje acordei e, como de hábito,  fui caminhar.

O dia estava meio frio, o céu meio cinzento e me dei conta de uma nostalgia, um desejo de sei lá bem o quê. Uma vontade de mudar, de me encantar, de me enternecer…

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Às vezes sinto isso que eu “entendo” como vontade de viajar, “tomar um trem para Paris”  (no meu caso) como Adília nos contou em outro post.

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Trocar a vida meio triste por aquele deslumbramento constante, estado permanente de alma encantada. De descobrimentos.

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A certeza de um encontro marcado com a beleza.

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O desejo foi parcialmente resolvido escolhendo  fotos para um futuro post….

Até já!

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Em janeiro estarei olhando por esta janela, procurando coisas para compartilhar com vocês.

Já, já volto!

Tropicalismos e o Jardin des Plantes

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Jorge Ben já lembrava décadas atrás do país tropical abençoado em que moramos. Estamos tão acostumados às flores, às paisagens floridas mesmo urbanas, que elas quase não nos surpreendem. Parecem que estão sempre lá onde sempre estiveram.

Como fifties, passamos a reparar mais e melhor nelas. Contamos os ipês amarelos floridos que encontramos em nosso caminho. Nos alegramos com as flores roxas dos jacarandás-mimosos que, feito nuvens diáfanas de cor, embaralham a vista  projetadas no céu azul profundo do início da primavera.

Os blocos multicores de azaléia e as maria-sem-vergonha espalhadas em qualquer cantinho são de tamanha ‘corriqueirice’ que às vezes nem os olhamos. Mas não nos escapam as flores cor de rosa das paineiras que resolveram colorir a cena da cidade mais cedo este ano. E quando encontramos um ipê branco? É puro deslumbramento! Minha amiga paisagista Thea diz que as flores desse ipê duram só uns 2 ou 3 dias e é uma sorte imensa se deparar com um florido. Se vir, você deve parar e sentar para admirá-lo. Vai valer a pena!

Santo território tropical que nunca nos deixa, como os europeus, naqueles momentos ‘sem flor’, só de cinzas e cinzentos. Época de flores por aquelas bandas vira passeio de prazeres. Como o Jardin des Plantes, no 5éme, em Paris.

Já fui lá muitas vezes. O local foi criado como Jardin de Roy em 1626, como herbário de plantas medicinais pelo médico do Luiz XIII. Aberto ao público em 1640, foi reestruturado e renovado após a revolução francesa. Passou a se chamar Jardin de Plantes e a abrigar o Museu de História Natural.

Lindos canteiros, plantados ‘certinhos’ à maneira francesa, florescem na primavera e no verão decorando o espaço. Em parte dele está o Rosarium, com variedade imensa de rosas, em todos os seus tons e semi-tons. Algumas estufas abrigam plantas de diferentes ecossistemas do mundo e podem ser visitadas.

O Jardin des Plantes virou passeio para mim num fim de fevereiro. Bonne idée!!!, disse um amigo francês, quando lhe contei onde pretendia ir como despedida daqueles dias na cidade. As flores amarelas já devem estar começando a florir. São as primeiras que aparecem depois do inverno, ele me avisou.

Só aí me dei conta de ter reparado em algumas flores amarelas, quase ‘fosforescentes’, que haviam me chamado a atenção por parecerem muiiiito mais brilhantes que o normal. Claro, elas eram os primeiros sinais contrastantes aos tons cinzas do inverno parisiense. O anúncio vibrante de um novo ciclo que, para a forasteira, passara despercebido. A visita era mesmo uma bonne idée! Allons-y !

SURPRESA, PRAZERES! Logo na chegada, vimos o que nos pareceu uma cotia. Reparamos então no zoológico que havia lá dentro . Está lá só desde 1795, e nunca tínhamos olhado para ele!!! Deixando o ‘politicamente correto’ de fora, entramos. Foi uma das descobertas mais agradáveis dessa viagem.

O zôo do Jardin des Plantes reúne animais ‘exóticos’ de todo o planeta, muitos deles em perigo de extinção. E váááários totalmente desconhecidos para nós! Juntos aos ‘habitats’ há uma pequena explicação de origem e hábitos, como em todos os zôos, e mais as razões de estarem em perigo.

O veado almiscarado está em perigo. Nas geleiras do Himalaia, onde vive, os machos da espécie são caçados porque têm um glândula no órgão sexual que os perfumistas cobiçam como fixador para suas criações. Outro ameaçado é o cavalo da Mongólia, parecido com um pônei. E, claro, o mico-leão-dourado, nossa ‘bandeira’ de animal em vias de extinção.

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Encontramos pássaros enormes e desconhecidos, estranhos ancestrais de perus. Num tanque grande, vimos tartarugas gigantes de Galápagos que pareciam bichos pré-históricos com seus cascos craquelentos. Entre muitas aves, estão lá algumas araras e papagaios brasileiros, das cores e espécimes mais maravilhosos.

Lagarto-no-Jardin-des-Plantes, de Tanya Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 
Tinha também pavão branco, flamingos, avestruzes. Alguns felinos, como a pantera da China, e leopardos. Todos vivendo em espaços que tentam reproduzir o seu habitat.

Pavão-branco-no-Jardin-des-Plantes, de Tanya Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 


O passeio se tornou inusitado, principalmente por não estarmos com nenhuma criança, mas foi uma delícia porque por nos fez, por uns momentos, olhar o mundo com os olhos delas.

E as flores amarelas? De fato pipocavam aqui e ali pelos jardins, mas já tínhamos sido tomados pela outra surpresa!

Uma visita inesquecível! Se você for, não deixe de visitar ali também o Museu de História Natural. Tem vários departamentos, paleontologia, mineralogia, mas eu adoro é a Grande Galeria da Evolução, que é maravilhosa! Ela restitui a história da evolução das espécies de uma maneira quase teatral. É impressionante!

Tanya Volpe

Tanya Volpe

 

 Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

 

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A foto do passeio pelo zoológico sem crianças e mergulhados em saudades dos trópicos é da própria Tanya Volpe. E os flamingos deslumbrantes são chilenos (P. chilensis)…ah, era primavera em Paris!

Exercício de tradução: Marché d’Aligre

Marché d'Aligre_Tanya-Volpe

De todas as inúmeras feiras e mercados de Paris, para mim o d’Aligre é especial.

Construído em 1779 para prover alimentos para o grande número de trabalhadores, marceneiros e artesões que se concentravam nessa região (ainda há muitos por lá), o mercado se divide em duas partes: uma feira ao ar livre que se espalha pela rua, como as nossas, e que funciona na parte da manhã. E um mercado coberto, também como os nossos, aberto durante todo o dia. Até aqui, fora a data em que o marché foi construído, 1779 (dez anos ANTES da Revolução Francesa!!??) nenhuma surpresa, tudo igual. Mas olhando mais de perto, as diferenças intrigam e encantam!

Adoro passear pelas bancas e descobrir ‘ao vivo’ o que conheço dos livros. No açougue, por exemplo: a que parte da vaca, do carneiro, do vitelo pertencem aqueles cortes cujos nomes não dão sequer uma pista, onglet , aiguillette, gite? E o que eles têm a ver com os nossos cortes de carne?
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Na barraca dos peixes as dificuldades de “tradução-adaptação” são ainda maiores. ‘Quem’ são aquelas conchas e mariscos todos, deitados nas algas e gelo picado, dos plateau de fruits de mer? Violet, bulots, pétoncle, bigorneaux, palourde, e o ‘mar’ de conchinhas,  peixes  e afins que ajudam a perfumar as bouillabaisses ?

Rascasse, merlan, limande, rouget, étrilles, tourteaux…..prazer em conhecê-los, hein?

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Com os legumes e frutas, a relação é um pouco mais simples. Aqui dá para fazer a versão. Quiabos são okras! Couve é chou vert. Melancia, pastèque, e o maracujá, coisa mais linda, fruit de la passion!

Passo pelas barracas das aves, uma beleza vê-las todas arrumadas na vitrine, com seus colarzinhos de penas — muito chiques — identificação comprovada, de procedência e qualidade.

É no Aligre que compro os queijos que trago na volta para dividir com os amigos. Em duas barracas que existem ali, incluindo a de Cyril et Nathalie, nunca paro de aprender e conhecer mais. São mais de 1000 tipos de queijo que existem na França: queijo de leite de cabra, ovelha, ou vaca, fresco, curado, redondinho, quadradinho, em pirâmide, com cinzas… Adoro um tal de Banon, feito com leite de cabra, fresquíssimo e extremamente delicado. Um galhinho de pinheiro ao lado indica sutilmente o perfume do terroir de onde veio o queijo. E o Époisse afinado no marc de Bourgogne (uma aguardente destilada de resíduos de uvas) que tem cheiro forte, mas uma consistência cremosa e um gosto ‘amendoado’ delicioso. E mais outros tantos e tantos, cada um com suas especificidades. Ali tem também as manteigas, vendidas a peso. Montadas em grandes formas arredondadas, sedosas e branquinhas. Dá vontade de pedir uma colher e começar a comer assim mesmo, pura.
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As charcuteries  são outra viagem: salsichões, salames, salsichas, presuntos  rosados, crus e curados, comprados em tranches — sim, em fatias, não em gramas ou quilos — pelos freqüentadores, na sua imensa maioria, moradores da região e habituées. Assim como eles, não resisto e peço minhas 2 ou 3 tranches  de presunto de Bayonne, label rouge, certificado que garante um produto de qualidade especial . Para comer, vou logo ali ao lado, comprar uma das melhores baguetes de Paris, a da Boulangerie Moisan, Le Pain au Naturel,  uma das primeiras a resgatar, há uns 10 anos mais ou menos, quando a qualidade dos famosos pães franceses começou a ser questionada, a maneira tradicional de fazer pães a partir de fermentação natural. Seus pães são produzidos com farinhas especiais  e assados corretamente, o que se percebe na ‘crocância’ perfeita da casca . A boulangerie fica quase em frente a uma das entradas do mercado na Place d’Aligre. E a produção diária e contínua de pães, assegura que você vai sempre encontrar um quentinho. Quer coisa melhor na vida?

Marche d

O mercado abre pela manhã até 12 horas e depois a partir das 4 da tarde. Fecha às segundas. Também vende flores e algumas comidas semi prontas.  Jornada cultural imperdível !!!!

Tanya VolpeTanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

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Marche d’Aligre
Exibir mapa ampliado
Rue d’Aligre
12 eme

Moisan – Le Pain au Naturel
5, place d’Aligre        12 eme
Tél: 01 43 45 46 60

G.Detou: programa para chocólatras

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Por conta de meu trabalho como estilista de culinária (faço a comida que está em embalagens, rótulos, anúncios, cardápios… ) estava atrás de corantes alimentares, vermelho, no caso e, especialmente, um marrom, para simular chocolate.

Foi isso que me levou uma tarde à G. Detou.

É uma pequena loja na Rue Tiquetonne, no 2eme, perto do Fórum Les Halles, onde antes existia o antigo mercado de Paris, hoje substituído por um grande e horrendo shopping.

Pois o lugar, com jeito de mercearia antiga, é fantástico. É de fato especializado em produtos para profissionais de confeitaria,  mas prometo que você vai se deliciar com a visita, basta ser um apaixonado por guloseimas: lá encontrei chocolates das melhores marcas francesas como Valrhona, Michel Cluizel, (cotados entre os melhores do mundo) e Weiss, Calebaut ..., tanto em embalagens grandes, próprias para consumo profissional, quanto em tabletes, latas e caixinhas de bombons na medida certa para os chocólatras como eu. São todos chocolates com denominação de origem e porcentagens diferenciadas de cacau, a preços bem razoáveis, nada que sequer se compare aos preços das casas ‘famosas’, como Fauchon, Épicerie do Bon Marche etc. Êbaaa!!! Você vai poder experimentar um montão, sem medo de não poder continuar a viagem e ter que voltar mais cedo para o Brasil!!!!

 Na Detou eles também vendem frutos secos vindos do Marrocos, da Turquia, de Israel. São pistaches, (nunca vi tão verdes)  amêndoas, figos, tâmaras (daquelas bem ‘gordonas’), tudo ainda carregado dos perfumes exótico dos países do “oriente”.

Você também vai achar por lá conservas, geléias e azeites especiais. E chás tradicionais da marca Kusmi Tea. Essa empresa de chá nasceu em St Petersbourg em 1867 e durante a revolução russa mudou-se para Paris. Seus chás são feitos de misturas especiais dos melhores produtores do mundo, (Príncipe Vladimir é o meu preferido, uma mistura de chás pretos da China, aromatizado com essências cítricas, de baunilha e especiarias), Dá para provar todos. Só a embalagem já faz uma festa! (volte e veja a foto no início deste post)

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E tem ainda uma vantagem de ser um endereço conhecido e freqüentado por profissionais: você pode comprar favas de baunilha, por exemplo, embaladas à vácuo, com 50 (???!!!) em cada pacote, a preços que fariam a feira perto ficar com vergonha. Ou as famosas favas tonka, que conheci lá, a especiaria da moda.

As favas tonka substituem a baunilha nas mesmas preparações, com um perfume mais suave, mais ‘achocolatado’. Pesquisando depois, descobri que essas favas são sementes encontradas na América do Sul, aqui no Brasil mesmo. Tem bastante na nossa Amazônia. São chamadas de vários nomes, conforme a região, amburana-de-cheiro ou cumaru por exemplo. Servem para fazer remédios que a sabedoria popular adotou desde sempre na região. Já aromatizaram fumos e charutos e hoje, elevadas à categoria ‘sabores exóticos’, freqüentam as cozinhas dos chefs mais importantes pelo mundo. Pois é, fui até Paris,  descobrir o Brasil por ali….

Pode se preparar para passar umas boas horas na G.Detou porque ainda nem chegamos nas prateleiras de confeitos para decoração de bolos, nem na dos corantes alimentares (caríssimos!) de todas as cores imagináveis (incluindo aquele marrom-chocolate que eu tinha ido buscar por lá) e muito, muito mais: achei uma informação, não totalmente confirmada, que o nome da loja G. Detou, é uma corruptela de ‘j’ai de tout,’ em francês, que quer dizer, ‘tenho tudo’. Bom, se não for verdade, bem poderia ser.

G.Detou
Veja o mapa
58, rue Tiquetonne (2eme)  M Etienne Marcel
lundi-samedi   8h30 – 18h30

Tanya VolpeTanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

 

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As fotos dos chás são da própria Tanya Volpe, as da loja são de Meg Zimbeck, cujo perfil de fotógrafa gulosa você conhece clicando aqui

Prazeres: Pain de Sucre

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Quando leio alguma coisa que me interessa sobre Paris, anoto no meu caderninho de ‘descobertas a descobrir’…

Anotei o Pain de Sucre.

É uma pâtisserie aberta por um casal de doceiros, Didier Mathray e Nathalie Robert, que antes haviam trabalhado com Pierre Gagnaire, meu cozinheiro ídolo.

Gagnaire é um chef ‘ 3 estrelas’ , bastante inovador. Além de tocar seu maravilhoso restaurante, ele desenvolve, há muito tempo, pesquisas com Hervé This, o cientista, pai da ‘cozinha molecular’. Foi esse Hervé, inclusive, que levou a cozinha para a universidade como objeto de estudo e foi inspirado nesses estudos que Ferran Adrià deu início à grande revolução no mundo das panelas.

Imediatamente me interessei em conhecer a doceira… Fui lá algumas vezes antes de conseguir entrar. Estava sempre fechada. (férias, dia de folga…) Não me arrependi da espera. A loja fica para o lado contrário do Centre Pompidou, o Beauboug, muito perto da estação Rambuteau do metro. É bem pequena mais realmente especial.
Quando entrei, a dona ficou me olhando, esperando para ver o que eu desejava. Disse que estava querendo conhecer a loja e há bastante tempo. “Por favor, deixe-me olhar”.  E ela, gentil (e um pouco constrangida) ‘prenez votre temps’ .  Comecei a investigar.


As diferenças, em relação às outras pâtisseries aparecem em pequenas sutilezas. Folhas de coentro cristalizadas no açúcar ao lado das tradicionais de hortelã, por exemplo.  Escolhi uma caixinha, já imaginando as possibilidades de combinação.  Com abacaxi ou manga ?  Ou com chocolate bem amargo em uma mousse?  Me lembra sabores ’tailandeses’, doces com coco? 

Encontro uma variação de calisson, típico biscoito de amêndoas da Provence, normalmente  em forma triangular, aqui, quadrado, e feito com pistaches e casca de laranja. Lindos e deliciosos.

Eles tem algumas poucas opções de chocolates e guimauves, os ‘marshmallows’ franceses, levíssimos.  Cubos coloridos de framboesa ou chocolate com banana ou flor de laranja e outros, que variam conforme a estação. Também lindos!

Bombas com sabores e formatos diferentes, incluindo uma com creme de avelãs e amêndoas torradas que é de chorar de boa!

Um sortimento de macarons de sabores especialíssimos., como tudo por lá. 

Ah! E vendem sobremesas em verrines, aqueles minicopinhos com misturas tentadoras.
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A montagem das tortas de frutas é bem diferente.  Não parece torta de pâtisserie.  Como o casal veio da restauração, seus doces tem categoria e jeitão de sobremesa de restaurante 3 estrelas.
Atenção, eles fecham na terça e na quarta, por isso, cuidado para não perder a viagem como eu nas primeiras vezes.

Tanya VolpeTanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

 

 
Pain d Sucre
14, rue Rambuteau  3ème
Metro Rambuteau
http://www.patisseriepaindesucre.com/

 

Prazeres: azeites da Provence

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Você tem de conhecer. No 12eme, pertinho da Place de la Bastille, há uma pequena rua, de um quarteirão, a Antoine Vollon. Ela margeia a Square Trousseau, uma praça cheia de crianças brincando. A atração especial ali fica no número 3: uma loja que vende azeites da Provence, com amostras de diversos produtores da região, todos devidamente especificados, e com descrição bem precisa de aromas. São mais de 20 opções divididas em frutados, feito com azeitonas verdes, com azeitonas pretas e com azeitonas maduras. Os preços variam entre 7 e 8 euros.

Alguns dos azeites tem AOC, ou seja, definição de origem controlada. A vendedora é uma mulher muito linda e simpática, sempre disposta a dar boas explicações. Mas as opções são tantas e tão tentadoras que o aconselhável é pegar um folheto e refletir sobre as escolhas. Nada melhor para isso que ir ao Le Bar à Thé, ali ao lado. Sentar nas mesinhas da calçada, escolher entre as diversas opções de chás, quentes ou frios, que podem ser degustados com uma salada, um sanduíche ou pequenas gulodices, como brioches ou pain au chocolat.

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Bom, vamos aos azeites! Sempre acabo por escolher pelo menos um de cada tipo de azeitona (verde, madura e preta). As descrições são deliciosas! Um AOC Vallée des Baux, por exemplo, tem um sabor que remete a amêndoas, avelãs e manteiga fresca! Quero um. De um outro produtor, o azeite tem aromas de alcachofra, baunilha e avelãs. Ai, que viagem! Não consigo parar de me imaginar no coração da Provence, andando por campos de lavanda sob aquela luminosidade solar de uma tela do Van Gogh. Sem dispersão, vai!

 

 
 
Os azeites estão acondicionados em embalagens de 250ml, que os conservam bem protegidos da umidade e da luz. É o que permite arriscar a provar e comprar vários, pois adoro esses azeites também para presentear os amigos. E um detalhe genial é um bico de plástico para ser acoplado à latinha do azeite depois de aberto. Essa pecinha, muito simples, é ótima porque não deixa pingar e faz com que o azeite escorra em um fio levinho (além de servir, depois, em outras latas daqui).

 

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Para conhecer melhor os azeites escolhidos, quando chego em casa cozinho batatas e, com elas ainda quentes, rego com o azeite, tempero com flor de sal e pronto. É comer, relembrar a viagem e começar a imaginar com o que mais aquelas maravilhas podem combinar.

Tanya Volpe

Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar… 

Première Pression – Huilles d’Olive Provence
3 rue Antoine Vollon – 12 eme
Tel : 01 53 33 03 59
Metro : Ledru-Rollin 
Ouvert :Mardi / Vendredi : 11h-14h30 / 15h30-19h00 Samedi : 10h30-19h00

Prazeres…

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Quando eu era menina adorava brincar de pular corda. E eu era boa nisso. Quando pulava sozinha. Quando brincava com os outros, era mais complicado. Sabe quando duas pessoas batem a corda e você tem de entrar no momento certo para pular? Pois é, me lembro ainda do frio na barriga que eu sentia frente a esse ‘grande ‘ desafio. A cabeça planejando, contando tempos, avaliando, escolhendo. Daí vinha a coragem e jáááááá! Eu começava a pular e instantaneamente esquecia o medo, era só prazer, um dos meus pequenos prazeres.

Pois é, resolvi entrar aqui. Para falar de tantos outros pequenos prazeres. Como Paris, cidade de infinitas viagens. Quer coisa mais deliciosa do que passear por lá? Conto os meus passeios.
Nesta temporada de verão parisiense, fui ao Parc Monceau , no 8eme. A história do parque é legal. Inicialmente, a área foi comprada pelo Duque d’Orléans, no dia seguinte ao seu casamento com a princesa de Penthièvre. Era 1769. Sua intenção era criar ali um lugar de prazer, para encontros e festas, um ‘país de ilusões’ como ele dizia . E assim foi feito. Muito tempo depois, em 1860, o parque foi comprado pela prefeitura de Paris e se tornou público.

O Barão Haussmann, que é o responsável pelo desenho de Paris que conhecemos hoje, resolveu dividir o parque Monceau em duas partes. Vendeu a metade para uma família de banqueiros (os Pereires), para que ali fizessem um loteamento de alto padrão. Haussmann queria valorizar a região. Na outra metade da área, foi mantido o jardim. As lindas casas que foram construídas no loteamento são as que existem no fundo do parque. Seus moradores têm o privilégio de usá-lo nos horários em que o parque se encontra fechado. Nada mal como quintal, hein?

Adoro o jardim do Monceau, que tem características de um jardim inglês, meio bagunçado e cheio de árvores do mundo todo. Há um Cedro do Líbano que deve ter uns 900 anos (na verdade, acho que são 200). É de uma majestade, com seus galhos enormes e pensos, emocionante. Outra árvore sensacional é um plátano, também com energias de milênios. Tem uma outra, japonesa…. E descobri lá uma Amoreira negra, que tem exatamente a minha idade. Foi plantada no dia em que eu nasci!

Outra coisa legal do parque é ser pouco visitado por turistas. É a turma do bairro, suas crianças, velhos e bichos que o freqüentam, o que o torna mais especial. 

 

Tanya Volpe Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

A foto é minha, dos matinhos coloridos do parque Monceau: Parc Monceau, Bd Corcelles,  8ème, Paris (aberto das 7 h às 22 h no verão) Métro Monceau

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