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É assim, franca, inevitável e livremente, que a gente entra nos cinqüenta. Um pouco antes, não esperava nem me identificava com as mudanças anunciadas para essa fase da vida. Era tudo coisa da mídia… Mas elas chegam, sim. Mais que as mudanças físicas, a atenção, as idéias, os interesses parecem pousar em terrenos antes nunca visitados.

A idéia de morte, por exemplo, começa a caber no seu universo, impõe-se. E dela se aproximam questões antes insignificantes, como se considerar ou não uma pessoa feliz, ter ou não ter uma crença a respeito das coisas, do homem, do universo.

Eu nasci em uma família católica, mas Deus só esteve presente na minha mente como forma de justificar a escolha do vestido tubinho com o qual eu iria à missa – para encontrar os amigos, nada a ver com experiências menos concretas. E de repente me interessam as lendas e mitos, a história das religiões, as psicologias, as reflexões filosóficas, a história da história – o velho com novo olhar.

Então me deparo com discursos sobre o mundo que se dessacralizou, adoeceu e por isso precisa se sacralizar novamente. Sobre um ser humano que teria sido íntegro na sua relação com a natureza e o cosmos, e que depois, moderno, teve essa identidade desfacelada – para a felicidade das várias correntes de terapeutas que desde então tentam ajudar as pessoas a entender essa história dentro de si.

Diante de tal cenário, apenas consigo pressentir coisas, porque não sou “doutora” , dona de nenhum tema, nem de mim mesma. Primeiro pressinto que se esses assuntos me interessam mais é porque posso estar ficando mesmo velha. Segundo, minha antena biopsicossocial me diz que quando um tema começa a aparecer muito é porque posso estar caindo em mais alguma tolice destes tempos saturados de (des) informações. Por último, combato as inquietações anteriores com a sensação real de que tudo no mundo passa, inclusive eu, e nada se pode fazer a respeito, felizmente. 

Creio que por isso o mundo é ótimo como é, nos seus altos e baixos. Não dá para reviver o passado, sermos hoje os homens de ontem, idealizando vivências. Podemos apenas ser diferentes, talvez melhores, quem sabe piores. Em outras e mais cotidianas palavras, o filho herdeiro dos meus joanetes e o outro que pegou de jeito meu jeito distraído de ser terão de se haver com essas heranças de uma forma original, só deles. Coisas de e da criação…

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