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//www.flickr.com/photos/misocrazy/142562470/

Tem dias que a gente acorda triste.
Por nada, por pouca coisa ou por tudo. Mas qualquer que seja o motivo, neste dia choramos. Muito.
 
Não poderia ser diferente, afinal aproveitamos a permissão dada às lagrimas e abrimos todas as gavetas que arduamente mantivemos fechadas.
De lá saem muitos e muitos episódios, que de comum o que trazem é o choro preso na garganta, aquele sorriso meio amarelo que tão bem disfarça nossas dores, pigarros que imitam começo de gripe e aquele sufoco no peito.
 
Às vezes é por conta daquela topada gigante que demos na cadeira do escritório, lugar que nem sempre cabem palavrões e dores “tão infantis”. Então erguemos a cabeça, ajeitamos o cabelo e retomamos o passo. É bobo, é pequeno, fica guardado, mas lateja.
 
Outras gavetas agora abertas nos fazem rever partidas de tanta gente querida. E como elas doem… Deixam o peito em carne viva. Para estas a saída é fingir que esquecemos. Aprendemos a nos desviar da memória, a nos atirar no presente, a não mais esperar que a encontremos no futuro. O nunca mais se instala e toca um alarme alto e forte, liberando água fria caso o calor daqueles afetos insista em voltar. Dessas memórias saem lembranças abaixo de zero.
 
De outras nos chegam frustrações, pelas mais diversas razões. O dinheiro que acabou antes que pudéssemos comprar aquilo que queríamos tanto. A viagem sonhada que teve que ser adiada. A noite da sexta-feira passada na mais completa solidão. O encontro desmarcado quando já estávamos prontas, com a chave de casa na mão.
 
A lembrança daquela pessoa caída na calçada, para quem nós não paramos por pressa, por temor, por preguiça, sai amarrotada da gaveta. E dói. Junto dela, presas no mesmo clipe, lembranças de tanta crueldade vista ao vivo e em cores e que a gente aprendeu tão bem a olhar e não ver.
 
Às vezes as dores não são nossas, mas daqueles que, por amarmos tanto, transformam as dores deles em nossas, de papel passado e tudo. Estas vêm em dose dupla, choramos por eles e por nós.
 
Gavetas abertas porque acordamos tristes. Dia da alma faxinar.
Dias de chuva, dias de choro.
Hoje está chovendo muito lá fora…

 

A foto é do stencil em um muro de São Francisco, tirada por Miss O’Crazy, do Flickr. Lá, como aqui, é permitido chorar…

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Um pensamento em “Dia de chorar

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