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“Tenho 50 anos, sim, e daí?”, exclama uma deslumbrante Sharon Stone na entrevista para o escritor Marc Levy, que é a matéria de capa desta semana da revista Paris Match francesa.

Vista pelos olhos e as lentes do fotógrafo Alix Malka e quase nua na maioria das fotos, a atriz, que meu filho desde os 8 anos acha que é a mulher mais linda do mundo, parece ainda mais sensacional!

“A perfeição do seu corpo é uma provocação”, começa o entrevistador. “Existe uma idade em que a gente deveria se proibir determinadas coisas ou evitar mostrar o corpo?”. E ela: “A metade da vida não é o fim da vida. Se alguém se chocar com essas imagens isso é o reflexo de seu próprio olhar sobre a velhice e neste caso, deveria se perguntar por que a necessidade de se resignar. Afinal, quem decide em que idade a vida deve começar ou terminar? Renunciar, por quê?”

De fato, renunciar por quê? Um corpo belo, perfeito, não cabe em 50 anos de vida? A provocação, os artistas sabem, acaba sendo ousar a beleza lá onde ninguém vê…

Quem se importa se o webdesigner teve um trabalhão no photoshop ou se o ensaio da Paris Match é só parte de um show, zilhões de vezes reprisado, temporada após temporada, ainda assim, a exibição do corpo de uma mulher mais velha escandaliza, é pura transgressão!

Então vamos aproveitar porque a transgressão é um arrepio de ousadia que passa tão rápido quanto veio…é só isso mesmo que dura, o tempo de um arrepio.

Mas tempo suficiente para ver as fotos da Sharon Stone reprisando a personagem sexy de Instinto Fatal, chegar em casa e olhar com mais generosidade e alegria para aquela mulher que sorri para nós lá do outro lado do espelho…

Trechos da entrevista que eu traduzi livremente do francês para compartilhar com vocês:

Sobre a famosa cruzada de pernas que a personagem dá no filme Instinto Selvagem, que fez mais barulho do que o fato de que sua personagem havia cometido um assassinato friamente com um quebrador de gelo…
Sim, é estranho ver onde as pessoas colocam a moralidade. Ninguém me disse “Fiquei chocado por você interpretar uma serial killer”, mas quantas e quantas vezes me disseram o quanto esta cena havia chocado! As pessoas tem então mais medo do sexo de uma mulher do que de um furador de gelo! No mesmo ano, foi lançada uma adaptação de “O Amante”. A jovem atriz se expunha muito mais do que eu e isso não provocou a mesma perturbação. Eu incarnava uma personagem com absoluto controle do próprio corpo. Sua força e sua dominação, foi isso que chocou as pessoas, não a nudez em si. É a encarnação do poder sexual da mulher que perturba.

Sobre o ensaio fotográfico
Essas fotos são gráficas e mostram a mulher como uma obra de arquitetura, como uma escultura cujas formas não são tão distantes assim das que esculpia Rodin, é assim que eu as vejo…

Sobre papéis
Eu sonhava interpretar Hamlet, mas isso pertence ao passado

Sobre o budismo
Eu não me converti, eu me lancei brutalmente. Estava filmando “Intersection”, com Richard Gere. Ele me apresentou ao Dalai Lama, que me seduziu com seus ensinamentos pragmáticos e simples. A compaixão, a gentileza, a generosidade, a disciplica cotidiana, o fato de precisar merecer as coisas, de ser responsável pela sua integridade, o fato de que existe uma diferença entre prazer e felicidade. O prazer é instantâneo, a felicidade dura, então é melhor escolher ser feliz. O budismo diz: Pegue o que é importante para você, concretize isso e livre-se do resto. Sim, eu vivo o budismo como uma filosofia.

Sobre a beleza
Olhe para Jeanne Moreau, a beleza é uma questão de alma, não de idade. Um homem me disse um dia que as rugas de cada lado de minha boca eram como parênteses que realçavam as coisas belas que eu dizia. Tive vontade de saltar em cima dele quando disse isso! Não compreendo essas mulheres que querem ficar todas parecidas umas com as outras e que puxam a pele até perder toda expressão!

Leia mais sobre Sharon Stone no iGGente  e  Para relembrar…a cena da cadeira de Instinto Selvagem

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3 pensamentos em “50 anos, e daí?

  1. Pingback: Essas fifties tão comuns | Fifties

  2. Pingback: Esses Fifties | Fifties

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