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Maggie, uma viúva nos fifties, precisa encontrar uma saída para ajudar o neto a se recuperar de uma doença. Esse é o resumo do resumo de Irina Palm, filme do diretor alemão Sam Garsbarski (Inglaterra, 2007). Mais não conto para não estragar o prazer da descoberta de quem ainda não viu ou nada ouviu sobre a trama. A história oferece conteúdo para comentários variados, mas um aspecto cai muito bem a cinquentões: a busca de alternativas na profissão ou na vida – aquele conhecido plano B.

Com planos A já bem vividos, não há fifty que já não tenha sonhado “n” vezes com planos B. Eles ficam ali na manga, em stand by, e um dia podem mesmo nos fazer “largar o osso” para abraçar outras possibilidades. 

Leio que um estudo, da H2R Pesquisas Avançadas, de São Paulo, ouviu 140 profissionais de todo o Brasil sobre o tema, homens e mulheres ocupando cargos de gerentes para cima, e 60% declararam pensar em rotas alternativas para suas carreiras.

Mas a carreira não precisa ser o foco da procura por rotas alternativas, muito menos crises vocacionais, especialmente aos 50. Nessa fase da vida, mesmo que não se tenha descoberto o gosto para determinada atuação profissional, já se revelaram ao menos incompatibilidades para muitas outras.

E aos 50, a gente percebe, ser inteligente, talentoso, descolado, esperto, bem apessoado e bem relacionado pode até garantir sucesso profissional, mas esse será outro plano A destinado a deixar na gaveta o plano B, aquele que pode ser a chave para o sucesso que interessa, o pessoal.

Tenha você exercido bem ou mal seu plano A como poeta, escritor, médico, músico, dentista, bailarina, advogado, engenheiro, cozinheiro, psicólogo, economista ou cientista, o que “pega” agora na fase fifties da vida e dá impulso aos planos B é a busca de prazer, de algo que “toca”, como descobriu literalmente a Irina Palm do filme. É a idéia ou o projeto que mobiliza por estar em sintonia com o desejo, com o coração, com a sua vitalidade, e por isso interessa e faz sentido.

Um plano B, às vezes, pode ser apenas a descoberta de um viés mais criativo e menos automático de continuar realizando o plano A. Porque rotinas e mesmices continuadas minam a energia vital e tiram o sentido de qualquer projeto, na vida pessoal ou profissional.

Eu sinto que o ponto chave de um verdadeiro plano B é demitir o patrão. Real ou imaginário, é aquele ou aquilo que tem o poder de nos manter em uma rota, enquanto vamos arquivando, sem dar muita atenção, desenhos e desenhos de planos B. Demitir o patrão seria se colocar num estado de prontidão para a vida, aberto e atento ao que vier, às sementes de possibilidades. Claro, num primeiro momento pode dar até um certo pânico viver sem essa chefia, mas é a chance de descobrir outra em novos termos ou de se ver como chefe-revelação do seu próprio nariz, seguindo seus poderes, ritmos e intuições.

IIrina Palm perambulou pelas ruas dos desesperados, suportou humilhações ao bater nas portas das seleções, e onde menos esperava (mas secretamente onde mais queria) encontrou a chefia capaz de revelar suas habilidades e seu capital pessoal para atuar com novo contrato na vida. Tudo por um pequeno buraco na parede…

 Navegue pelo site oficial do filme Irina Palm

Blogueira convidada: Lélia Lyra

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16 pensamentos em “O plano B de Irina Palm

  1. E se a idéia ou o projeto que mobiliza por estar em sintonia com o desejo, com o coração, com a sua vitalidade, e por isso interessa e faz sentido, não funciona bem??? Plano C na outra manga???
    Otimo texto!

  2. Isso acontece mesmo, Sonia, às vezes, muitas até, não rola. Aí, acho que a gente tem de “vestir” aquela força de Samurai e continuar buscando… Obrigada pelo comentário

  3. Os comentários acima devem ser de gente que não sabe qual era esse plano B da personagem……
    Ter que virar profissional de sexo aos 50 anos não é exatamente ” um plano pessoal ” de sucesso e realização….. ou será?

  4. Fiquei curioso com o filme. Próximo dos 50, venho pensando em plano B já há algum tempo, mesmo sabendo que eles poderiam vir apenas depois dos 60. Eu penso que o interessante na abertura do debate é o motivo que nos leva a pensar em plano B. Talvez este plano B seja um momento radical de mudança de identidade.

    Parabéns pelo texto!

  5. Otavio Ernesto, porque não? Vivemos numa sociedade que glamuriza a Bruna Surfistinha e a juventude eterna. Então, assistir uma mulher de 50 anos virar profissional do sexo deve ser mesmo um choque pra algumas pessoas! Quanto ao fime não vi, mas já gostei… pelo menos brinca com essa hipocrisia toda que a gente vive.

  6. Matemáticamente falando aos 50 anos já vivemos aproximadamente 80% da media de vida do brasileiro e vejo que é tempo bastante para se adiquirir experiência e até mesmo acumular capital para dar novas direções a sua vida, com esta idade já se estar cansado de chefe e até mesmo do ambiente e que se encontra instalado, é natural do ser humano buscar novos horizontes e cada vez mais sua independência, mas é necessário termos muito cuidado pois o que deveria ser fase de sossego pode ser início de atribulações.

    G. Siva

  7. Gostei muito de todos os comentários.
    Otavio, um plano pessoal de sucesso é aquele que te mantém “vivo”, em vez de “sobrevivendo”, entende? Não significa, necessariamente, um plano para ganhar dinheiro (o referencial de sucesso tradicional). Mas se esse componente vem junto, quem vai achar ruim, não é mesmo?
    Wolney, creio que você pegou o “ponto”. Aos 50, a pessoa que somos se instala com mais clareza, parece que não dá mais para ficar ajeitando, disfarçando. É uma espécie de encontro com a identidade e, se ela não nos coloca na vida com conforto, é atrás disso que vamos com os planos B.
    Alexandra, você vai curtir o filme. A Irina Palm profissional do sexo nada tem a ver mesmo com Brunas Surfitinhas.
    Abraços a todos, e obrigada.

  8. Assisti ao filme ja ha algum tempo e me comovi com o respeito que Irina imprime a seu trabalho. Nao creio que ela tenha propriamente escolhido aquele trabalho, mas atuou nele com muito respeito a si mesma e aos demais. Acredito que o Plano B deva, principalmente, priorizar isso: respeito: as nossas escolhas, aos nossos principios, ao motivo que nos obrigou a determinadas escolhas. Nem sempre poderemos optar por escolhas que nos deem apenas prazer…. mas podemos realiza-las com foco nos nossos objetivos, engrandecendo nossas açoes.

  9. Gilberto, você lembrou de um aspecto crucial: o sossego, o tempo para não ter de correr atrás de nada… É um privilégio conseguir isso, mas as atribulações de algo que produza entusiasmo e prazer na gente podem até matar o corpinho de cansaço, mas a cabeça fica ótima. Abs.

  10. Acho que tocar punheta foi o plano b do B de de Irina Palmer. Quer dizer, foi o plano B frutrado. Afinal, o ‘talento’ para tocar punheta que ela descobriu, deu-se apenas de modo casual, forçado pela necessidade, coisa que não é o caso de um plano B para a vida de cada um, que deve ser uma escolha que venha a nos preencher de novas possibilidades e realizações prazeirosas.

  11. Que percentual da classe média ou alta vocês acham que tem um plano B na manga para após os 50 anos? A maioria de nós está tão preocupado com o pagar das contas e o crescimento dos filhos que não ve o tempo passar e quando nos damos conta já estamos próximos aos 50 e cansados, com vontade de jogar tudo pro alto, sem o plano B. É quando nos assustamos e nos perguntamos “E agora José”?
    Adorei o texto, mas queria tê-lo lido aos 40.

  12. Cida, primeiro indique o texto para os seus amigos de 40. Segundo, é essa rotina cotidiana mesmo que deixa a gente sem entusiasmo, fazendo tudo no “automático”. E não dá pra jogar as contas, os filhos etc pro alto. Mas é exatamente essa vontade que pode fazer a gente encontrar um plano B. Fique de olha, aberta, e de repente você encontra o “José”.

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