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Você já teve o prazer de visitar o museu do Louvre, em Paris? Eu tive, mas um prazer muito, muito especial. Por intermédio de amigos, fiz parte de um grupo privilegiado convidado para uma visita ao museu no dia em que ele fica fechado ao público, às terças-feiras. Coloco a experiência entre as coisas mais emocionantes da minha vida!

Nosso guia, com grande conhecimento do acervo, escolhia algumas peças que considerava marcos fundamentais da arte para conduzir a visita — que não foi longa, mas de uma beleza e densidade infinitas.

Passávamos de uma pequena máscara grega, que talvez sozinha eu jamais tivesse prestado atenção, para uma escultura romana e depois uma pintura do século 16. As pontuações se sucediam, enquanto caminhávamos pelos prédios e alas, acompanhando a história das obras e também do museu. Claro que pedimos para ver a Mona Lisa, e a sensação de estar na frente daquele ícone, no silêncio das galerias vazias foi uma emoção inesquecível, que beira o sublime.

A lembrança dessa visita veio à tona recentemente em outra visita, desta vez à exposição O Louvre e seus Visitantes, que se encontra no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e exibe coleção de fotos de Alécio de Andrade (1938-2003), carioca, poeta, músico e fotógrafo profissional, que viveu em Paris.

Na capital francesa, Alécio trabalhou para diversos veículos nacionais e internacionais, foi correspondente da revista Manchete e também associado por um tempo à agência Magnum-Photos, fundada em 1947 por um grupo integrado por Henri Cartier-Bresson. A agência abrigou, e abriga, grandes fotógrafos do mundo.

A exposição O Louvre e seus Visitantes, e o livro que a acompanha, foram idealizados pela viúva de Alécio, Patrícia Newcomer, com base em mais de 12 000 fotos feitas, apaixonadamente, ao longo de quase 40 anos de visitas do fotógrafo ao museu.

“O traço comum das fotografias que apresento talvez seja devolver a esse lugar tão visitado a presença e a intimidade do olhar daquele ou daqueles que, tendo vindo admirar quadros ou esculturas, muitas vezes só enxergam pouca coisa mas, de um momento para o outro, podem viver o encontro com uma obra ou mesmo um detalhe que irá comovê-los mais que qualquer coisa”, escreve Alécio de Andrade na apresentação do livro.

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O acervo de 88 fotografias pertence ao Instituto Moreira Salles, doado por Patricia Newcomer, Florencio e Balthazar de Andrade, com a curadoria de Hélène Lassalle e Jean Marchetti.
Alécio foi amigo de vários intelectuais, como o poeta Drummond, que lhe dedicou este poema:

O que Alécio vê

A voz lhe disse (uma secreta voz):
– Vai, Alécio, ver.
Vê e reflete o visto, e todos captem
por seu olhar o sentimento das formas
que é o sentimento primeiro – e último – da vida.

(Carlos Drummond de Andrade inAmar se Aprende Amando”)

Exposição: O Louvre e seus Visitantes
Museu Nacional de Belas Artes, Av. Rio Branco, 199
Tel: (21) 2240-0068
de 10 de julho a 13 de setembro de 2009
de terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h

Para saber mais sobre a exposição, navegue pelo site da Confoto

E para comprar o livro O Louvre e seus Visitantes, de Alécio de Andrade, Edgar Morin e Adrian Harding

No blog da fotógrafa Luciaadverse’s você passeia por algumas da fotos da exposição 

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2 pensamentos em “Prazeres: o Louvre e seus visitantes

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