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pregnantearth_Nate Cull

Cientistas ingleses andam pedindo bilhões ao seu governo para desenvolver técnicas que possam salvar o planeta do aquecimento global. Cogitam, por exemplo, burrifar a estratosfera terrestre de aerossol ou pintar de branco todos os telhados e ruas do mundo para evitar que a Terra absorva muita radiação solar.

As idéias são bem criativas, mas delirantes, como já apontaram especialistas. Em todo caso, qualquer sugestão é válida para chegar a algo que tire o planeta do “parapeito do falecimento”, como diria o escritor moçambicano Mia Couto.

 

E delírio por delírio, tenho o meu: investir os tais bilhões do dinheiro inglês em “mulheres suficientemente sustentáveis”, expressão que adapto de outro inglês, um psicanalista que forjou a teoria da “mãe suficientemente boa”.

Suficientemente boa é a mãe “na medida”, aquela que não dá muito nem pouco ao seu bebê, apenas possibilita a ele alcançar as satisfações, ansiedades e conflitos necessários ao seu desenvolvimento. Criaturas criadas por essas mães teriam menos chance de descontar suas faltas ou falhas na sociedade de modo destrutivo.

 

A mãe suficientemente boa não aprende a ser assim, ela é por conta de suas experiências. Digamos que está no seu DNA. É exatamente o ponto que proponho alcançar com a “mulher suficientemente sustentável”. 

O DNA da mulher sustentável carregaria a marca central da responsabilidade individual pelo bem-estar coletivo, a única capaz de combater de verdade a insustentabilidade contemporânea.

Em números, essa insustentabilidade está em “O mal-estar na globalização” (Ed. Girafa, 2005), livro de Luciano Martins Costa, jornalista que batalha pelo desenvolvimento sustentável: diariamente, o mercado mundial negocia quase 2 trilhões de dólares, riqueza da qual não sobra nem cheiro para mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Nada lhes chega em forma dos benefícios mais básicos, como habitação, nutrição e saneamento. A um sinal inequívoco de dinamismo econômico, como ressalta o jornalista, corresponde o outro, gritante, da insustentabilidade.

Bem, há tanta unanimidade a favor do desenvolvimento sustentável quanto em relação à cura da Aids ou do câncer. Ninguém é contra, mas até agora algo parece impedir que as ações práticas dos gestores públicos e privados do planeta se traduzam em desenvolvimento sustentável.  Por quê?

Creio que falta a esses gestores, que estão entre a parcela mais bem-educada e preparada do planeta, o DNA da responsabilidade individual pelo bem-estar coletivo, que só poderia ser transmitido por mães suficientemente sustentáveis.

As mulheres são as principais transmissoras da cultura de uma sociedade, porque passam valores aos filhos sem palavras, pelas “entranhas”. Por isso vivem produzindo filhos machistas, egoístas, racistas, ainda que cercadas de discursos em prol de uma educação solidária, democrática, com respeito pela diversidade.

Formalizada na roda mundial desde o início dos anos 70, a idéia da sustentabilidade está quase nos fifties. Com o conhecimento e a tecnologia acumulados até aqui, mais as libras dos ingleses, os cientistas não teriam meios de transformar meu delírio em realidade?

Está colocado o desafio: mulheres suficientemente sustentáveis para garantir a durabilidade do planeta com vida decente para as pessoas, os negócios e o meio ambiente.

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A foto é de um neozelandês, Nate Cull, provavelmente tirada em uma exposição.

Buscando a foto, encontre um site dedicado às representações do feminino associadas à Terra e à gravidez. Muito lindo: Pregnant Earth!

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