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Marché d'Aligre_Tanya-Volpe

De todas as inúmeras feiras e mercados de Paris, para mim o d’Aligre é especial.

Construído em 1779 para prover alimentos para o grande número de trabalhadores, marceneiros e artesões que se concentravam nessa região (ainda há muitos por lá), o mercado se divide em duas partes: uma feira ao ar livre que se espalha pela rua, como as nossas, e que funciona na parte da manhã. E um mercado coberto, também como os nossos, aberto durante todo o dia. Até aqui, fora a data em que o marché foi construído, 1779 (dez anos ANTES da Revolução Francesa!!??) nenhuma surpresa, tudo igual. Mas olhando mais de perto, as diferenças intrigam e encantam!

Adoro passear pelas bancas e descobrir ‘ao vivo’ o que conheço dos livros. No açougue, por exemplo: a que parte da vaca, do carneiro, do vitelo pertencem aqueles cortes cujos nomes não dão sequer uma pista, onglet , aiguillette, gite? E o que eles têm a ver com os nossos cortes de carne?
.Marche d
Na barraca dos peixes as dificuldades de “tradução-adaptação” são ainda maiores. ‘Quem’ são aquelas conchas e mariscos todos, deitados nas algas e gelo picado, dos plateau de fruits de mer? Violet, bulots, pétoncle, bigorneaux, palourde, e o ‘mar’ de conchinhas,  peixes  e afins que ajudam a perfumar as bouillabaisses ?

Rascasse, merlan, limande, rouget, étrilles, tourteaux…..prazer em conhecê-los, hein?

MarchedAligre

Com os legumes e frutas, a relação é um pouco mais simples. Aqui dá para fazer a versão. Quiabos são okras! Couve é chou vert. Melancia, pastèque, e o maracujá, coisa mais linda, fruit de la passion!

Passo pelas barracas das aves, uma beleza vê-las todas arrumadas na vitrine, com seus colarzinhos de penas — muito chiques — identificação comprovada, de procedência e qualidade.

É no Aligre que compro os queijos que trago na volta para dividir com os amigos. Em duas barracas que existem ali, incluindo a de Cyril et Nathalie, nunca paro de aprender e conhecer mais. São mais de 1000 tipos de queijo que existem na França: queijo de leite de cabra, ovelha, ou vaca, fresco, curado, redondinho, quadradinho, em pirâmide, com cinzas… Adoro um tal de Banon, feito com leite de cabra, fresquíssimo e extremamente delicado. Um galhinho de pinheiro ao lado indica sutilmente o perfume do terroir de onde veio o queijo. E o Époisse afinado no marc de Bourgogne (uma aguardente destilada de resíduos de uvas) que tem cheiro forte, mas uma consistência cremosa e um gosto ‘amendoado’ delicioso. E mais outros tantos e tantos, cada um com suas especificidades. Ali tem também as manteigas, vendidas a peso. Montadas em grandes formas arredondadas, sedosas e branquinhas. Dá vontade de pedir uma colher e começar a comer assim mesmo, pura.
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As charcuteries  são outra viagem: salsichões, salames, salsichas, presuntos  rosados, crus e curados, comprados em tranches — sim, em fatias, não em gramas ou quilos — pelos freqüentadores, na sua imensa maioria, moradores da região e habituées. Assim como eles, não resisto e peço minhas 2 ou 3 tranches  de presunto de Bayonne, label rouge, certificado que garante um produto de qualidade especial . Para comer, vou logo ali ao lado, comprar uma das melhores baguetes de Paris, a da Boulangerie Moisan, Le Pain au Naturel,  uma das primeiras a resgatar, há uns 10 anos mais ou menos, quando a qualidade dos famosos pães franceses começou a ser questionada, a maneira tradicional de fazer pães a partir de fermentação natural. Seus pães são produzidos com farinhas especiais  e assados corretamente, o que se percebe na ‘crocância’ perfeita da casca . A boulangerie fica quase em frente a uma das entradas do mercado na Place d’Aligre. E a produção diária e contínua de pães, assegura que você vai sempre encontrar um quentinho. Quer coisa melhor na vida?

Marche d

O mercado abre pela manhã até 12 horas e depois a partir das 4 da tarde. Fecha às segundas. Também vende flores e algumas comidas semi prontas.  Jornada cultural imperdível !!!!

Tanya VolpeTanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

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Marche d’Aligre
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Rue d’Aligre
12 eme

Moisan – Le Pain au Naturel
5, place d’Aligre        12 eme
Tél: 01 43 45 46 60

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2 pensamentos em “Exercício de tradução: Marché d’Aligre

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