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Dorso_Vana_Gwen

Se o movimento estiver em cima, que atire a primeira pedra a fifty que ainda não se queixou de uma dorzinha nos braços, nas costas, ombros ou coluna. A fase do “condor” — aos 50, pouco antes, pouco depois – pode tardar aqui ou ali, mas não falha.

Com a idade, o bicho pega principalmente nos joelhos, coluna lombar, cervical, ombros e mãos, diz a fisioterapeuta Roberta Fontana, de São Paulo, que anda me ensinando a colocar pingos nos is nos pés recém-saídos de uma cirurgia para a retirada de joanetes. A indicação para o procedimento é dor, e no meu caso ela andava insuportável. O andar começa a voltar ao normal, mas custou outras dores nos joelhos, na coluna, nos ombros, como parte da auto-adaptação para me equilibrar em sandálias apropriadas à situação.

“O corpo humano é a máquina mais perfeita que existe, mas também necessita de cuidados preventivos, manutenção, reparos. O envelhecimento é inevitável, fisiológico, um processo natural e esperado. O importante é saber tirar o melhor proveito da máquina nas diversas etapas da vida”, resume Roberta, especialista formada pela USP com mais de 20 anos de prática fisioterapêutica.

A pele, os ossos, os músculos, os nervos envelhecem cada um a seu tempo. Há fatores que retardam e outros que aceleram o envelhecimento do corpo. Dito de outra forma, a prática constante de exercícios versus uma vida sedentária, por exemplo.

Na fase do “condor”, Roberta explica que o sistema músculo-esquelético costuma ser afetado pela diminuição da densidade dos ossos (osteoporose), desgaste das articulações (artrose), diminuição da força muscular (hipotrofia) e das reações de equilíbrio e fragilidade dos ligamentos, entre outros. Os pontos críticos são joelhos, coluna lombar, cervical, ombros e mãos.

“O que mais sobrecarrega o sistema músculo-esquelético é a forma do movimento e não sua repetição. Isto é, o jeito de pegar um objeto no chão, por exemplo, e não o número de vezes que se faz isso”, destaca a fisioterapeuta.

Para Roberta, se nada ainda pega aos 50, é preciso se movimentar para o corpinho viver decentemente mais adiante. “Mas respeitando os limites. Aos 50, não dá para fazer ginástica no ritmo dos 20 sem sentir dor. E há atividades que proporcionam prazer e bem-estar para uns e são uma tortura para outros. Se a pessoa não se sente bem, a prática não vira rotina.”

Caminhar, nadar, fazer alongamento, tai-chi-chuan, dança de salão… Não parecem opções de bom tamanho para fifties?

E, no dia-a-dia, seja cuidadosa em certas tarefas. Seria melhor não inventar, mas se decidir por uma faxina pesada no armário, “faça sem pressa, utilizando uma escadinha para pegar coisas no alto e sentando no chão para vasculhar miudezas mais próximas do solo”, diz Roberta.

Se vai atacar de jardineira no fim de semana, nada de ficar ajoelhada, “porque sobrecarrega os joelhos e a coluna lombar”. Sente em um banquinho baixo.

Vai lavar a louça? Apóie um dos pés no armário embaixo da pia ou numa lista telefônica, alternando pé direito e esquerdo. Assim se evita sobrecarga na região lombar. Mas não fique também muito tempo em pé. Ande, sente-se um pouco e depois volte à labuta.

E pode surgir uma oportunidade para dançar muito. Se é coisa que você não costuma fazer com freqüência, então muito cuidado com o salto do sapato. “Nada muito alto e fino”, aconselha Roberta. Se a dança tiver desdobramentos, como sexo, por exemplo, respeite também seus limites de performance, mas faça!

Quando o programa é ficar no computador, situação que mereceria um capítulo de livro, as dicas mais básicas da fisioterapeuta são: prefira computador de mesa a um notebook para tempo de trabalho prolongado; sente bem de frente para a tela e não com o corpo torcido; a cada 50 minutos, levante, caminhe e relaxe por 10 minutos.

No site da Roberta www.physiolife.com.br, você também encontra ótimas dicas para dormir bem no colchão e no travesseiro corretos. Dê uma espiadinha!

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Vana Gwen é brasileira e está bem longe das dores das Fifties. Mas a foto que ela chamou “Dorso” é bonita, tanto quanto a legenda: O que está sempre falando silenciosamente é o corpo, de Norman Brown. 

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3 pensamentos em “Fase do “condor”

  1. Lelia, gostei das dicas. Nada como fazer o reconhecimento dos limites que a idade do “condor” impõe, sem que isto seja sugestão de sedentarismo.

  2. Creio que você conseguiu captar e, o que é mais importante, transmitir a difícil fase vivida por aqueles que passam dos 50 anos. Mas, entendo que sua descrição acabou por dar cores mais femininas a tão grande transformação. Assim, acho oportuno distinguir as diferentes fases vividas por homem e mulher, a partir de seus fifties.
    Na visão masculina, a partir dos 50, o homem vai consolidando a sua entrada inexorável na era dos metais. Põe ouro nos dentes, ganha prata nos cabelos, parece que tem chumbo em partes que deveriam estar mais pra cima e recebe ferro de tudo quanto é lado.
    Quanto à bela foto acima, percebo que a plumagem não é de condor, mas de outra classe de ave, provavelmente do tipo twenties, subgrupo migratória.

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