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Flamingos-chilenos_Tanya-Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Ben já lembrava décadas atrás do país tropical abençoado em que moramos. Estamos tão acostumados às flores, às paisagens floridas mesmo urbanas, que elas quase não nos surpreendem. Parecem que estão sempre lá onde sempre estiveram.

Como fifties, passamos a reparar mais e melhor nelas. Contamos os ipês amarelos floridos que encontramos em nosso caminho. Nos alegramos com as flores roxas dos jacarandás-mimosos que, feito nuvens diáfanas de cor, embaralham a vista  projetadas no céu azul profundo do início da primavera.

Os blocos multicores de azaléia e as maria-sem-vergonha espalhadas em qualquer cantinho são de tamanha ‘corriqueirice’ que às vezes nem os olhamos. Mas não nos escapam as flores cor de rosa das paineiras que resolveram colorir a cena da cidade mais cedo este ano. E quando encontramos um ipê branco? É puro deslumbramento! Minha amiga paisagista Thea diz que as flores desse ipê duram só uns 2 ou 3 dias e é uma sorte imensa se deparar com um florido. Se vir, você deve parar e sentar para admirá-lo. Vai valer a pena!

Santo território tropical que nunca nos deixa, como os europeus, naqueles momentos ‘sem flor’, só de cinzas e cinzentos. Época de flores por aquelas bandas vira passeio de prazeres. Como o Jardin des Plantes, no 5éme, em Paris.

Já fui lá muitas vezes. O local foi criado como Jardin de Roy em 1626, como herbário de plantas medicinais pelo médico do Luiz XIII. Aberto ao público em 1640, foi reestruturado e renovado após a revolução francesa. Passou a se chamar Jardin de Plantes e a abrigar o Museu de História Natural.

Lindos canteiros, plantados ‘certinhos’ à maneira francesa, florescem na primavera e no verão decorando o espaço. Em parte dele está o Rosarium, com variedade imensa de rosas, em todos os seus tons e semi-tons. Algumas estufas abrigam plantas de diferentes ecossistemas do mundo e podem ser visitadas.

O Jardin des Plantes virou passeio para mim num fim de fevereiro. Bonne idée!!!, disse um amigo francês, quando lhe contei onde pretendia ir como despedida daqueles dias na cidade. As flores amarelas já devem estar começando a florir. São as primeiras que aparecem depois do inverno, ele me avisou.

Só aí me dei conta de ter reparado em algumas flores amarelas, quase ‘fosforescentes’, que haviam me chamado a atenção por parecerem muiiiito mais brilhantes que o normal. Claro, elas eram os primeiros sinais contrastantes aos tons cinzas do inverno parisiense. O anúncio vibrante de um novo ciclo que, para a forasteira, passara despercebido. A visita era mesmo uma bonne idée! Allons-y !

SURPRESA, PRAZERES! Logo na chegada, vimos o que nos pareceu uma cotia. Reparamos então no zoológico que havia lá dentro . Está lá só desde 1795, e nunca tínhamos olhado para ele!!! Deixando o ‘politicamente correto’ de fora, entramos. Foi uma das descobertas mais agradáveis dessa viagem.

O zôo do Jardin des Plantes reúne animais ‘exóticos’ de todo o planeta, muitos deles em perigo de extinção. E váááários totalmente desconhecidos para nós! Juntos aos ‘habitats’ há uma pequena explicação de origem e hábitos, como em todos os zôos, e mais as razões de estarem em perigo.

O veado almiscarado está em perigo. Nas geleiras do Himalaia, onde vive, os machos da espécie são caçados porque têm um glândula no órgão sexual que os perfumistas cobiçam como fixador para suas criações. Outro ameaçado é o cavalo da Mongólia, parecido com um pônei. E, claro, o mico-leão-dourado, nossa ‘bandeira’ de animal em vias de extinção.

Leopardo-no-Jardin-des-Plantes_Tanya Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontramos pássaros enormes e desconhecidos, estranhos ancestrais de perus. Num tanque grande, vimos tartarugas gigantes de Galápagos que pareciam bichos pré-históricos com seus cascos craquelentos. Entre muitas aves, estão lá algumas araras e papagaios brasileiros, das cores e espécimes mais maravilhosos.

Lagarto-no-Jardin-des-Plantes, de Tanya Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 
Tinha também pavão branco, flamingos, avestruzes. Alguns felinos, como a pantera da China, e leopardos. Todos vivendo em espaços que tentam reproduzir o seu habitat.

Pavão-branco-no-Jardin-des-Plantes, de Tanya Volpe

 

 

 

 

 

 

 

 


O passeio se tornou inusitado, principalmente por não estarmos com nenhuma criança, mas foi uma delícia porque por nos fez, por uns momentos, olhar o mundo com os olhos delas.

E as flores amarelas? De fato pipocavam aqui e ali pelos jardins, mas já tínhamos sido tomados pela outra surpresa!

Uma visita inesquecível! Se você for, não deixe de visitar ali também o Museu de História Natural. Tem vários departamentos, paleontologia, mineralogia, mas eu adoro é a Grande Galeria da Evolução, que é maravilhosa! Ela restitui a história da evolução das espécies de uma maneira quase teatral. É impressionante!

Tanya Volpe

Tanya Volpe

 

 Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

 

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A foto do passeio pelo zoológico sem crianças e mergulhados em saudades dos trópicos é da própria Tanya Volpe. E os flamingos deslumbrantes são chilenos (P. chilensis)…ah, era primavera em Paris!

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