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Por Silvana Tavano

Os meus 50 nem estavam tão perto assim quando comecei a pensar no chamado plano B. Vale dizer que, no meu caso, isso teve mais a ver com um sonho do passado do que com planos para o futuro – desde garota, meus olhos brilhavam com a ideia de ser escritora.

Aos 20 anos, participei de alguns concursos de contos, cheguei a ser premiada, mas, equivocadamente, em vez de prestar vestibular para o curso de letras, escolhi jornalismo. Acho que não fui mal durante os quase 30 anos em que trabalhei na área, principalmente em redações de revistas femininas, mas a verdade é que nunca me senti à vontade como entrevistadora ou fazendo reportagens.

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O grande prazer e certamente os meus melhores momentos profissionais eram aqueles em que eu apenas escrevia ou editava textos. O que já era bom demais – afinal, quanta gente segue trabalhando anos e anos com prazer zero no dia-a-dia? Por outro lado, isso sempre comprometeu o investimento na carreira: nos cargos de chefia, administra-se muito, escreve-se pouco.

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Depois de muitos anos, eu queria mudar e crescer, mas não na direção em que a carreira poderia me levar. E foi num dos muitos momentos de desânimo com a falta de perspectivas que, por acaso, fiquei sabendo de uma oficina de literatura infantil, na escola onde meu filho estudava.

Todas as oficinas literárias que me interessavam aconteciam em horários inviáveis e esse era um curso noturno, voltado para professores que, como eu, trabalhavam o dia inteiro. Num impulso, liguei para a secretaria, perguntando se eles admitiriam uma mãe de aluno na turma. Dois dias depois, já estava inscrita e animada com a novidade, mas ainda não imaginava o quanto essa história ia mudar o rumo da minha vida.

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Nunca tinha escrito nada para crianças — é verdade que, naquela época, lia muito para o meu filho, ainda pequeno, mas, durante a oficina, fui me apaixonando pela brincadeira e mergulhei no mundo das bruxas e fadas.
Redescobri a mágica das palavras
e o antigo desejo de escrever ficção. Incentivada por Márcia Fortunato, a professora que virou uma grande amiga, mandei uma história criada na oficina para três grandes editoras, por correio. Meses depois, recebi um telefonema da Companhia das Letrinhas. Isso aconteceu em 2003, eu tinha 46 anos, e “Creuza em Crise”, o primeiro livro, saiu em 2005.

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Segui escrevendo e hoje, com oito títulos publicados e mais dois no forno começo a ter coragem de dizer que sou “escritora e jornalista” quando perguntam qual é a minha profissão.
Como não sou nenhuma exceção, não consigo viver de direitos autorais. Mas, nos últimos anos, fui me dando conta de que o plano B só teria chance de virar A se eu investisse a maior parte do tempo nele.

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Aos 51, inverti o jogo, virei jornalista free-lance e escritora em período integral. Isso não é só escrever: mantenho um blog de literatura infantil, participo de eventos em escolas, faço pareceres e traduções de textos infanto-juvenis e, principalmente, estou muito feliz.

 

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Parece lugar comum, e é, mas acho mesmo que a gente precisa apostar nos sonhos e até inventar um, se não tiver. Trabalhar é bom, todo mundo precisa. Mas, depois dos 50, a gente tem obrigação de incluir alegria e realização nessa história.

 

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Silvana Tavano é jornalista e escritora. Há uns cinco anos, descobriu que se divertia muito mais inventando as próprias histórias. A foto que estampa sua alegria é de Eduardo Muylaert, tirada na flipinha, em Paraty.

 

 

 

A bicicleta de laranja, lá em cima, Silvana encontrou no Parangolé.

Visite o blog da autora:   http://diariosdabicicleta.blogspot.com

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9 pensamentos em “Virada de bicicleta!

  1. É o maior prazer acompanhá-la nesta saborosa virada de bicicleta! Continue a pedalar e registre aqui no Fifties quando puder suas ideias feitas de “olhinhos brilhantes”. Valeu!

  2. Concordo em 110% , que depois dos 50 , é obrigação, fazer um trabalho que nos traga prazer.
    Investir em alegria, e ter prazer naquilo que fazemos, é como se tivessemos apenas um hobby , e não mais um trabalho
    Parabéns pelo texto, e por sua escolha de vida.

  3. conheço bem essa história da sil. sen-sa-ci-o-nal. agora o que eu não sabia era que a lélia tinha um blog. adorei saber. mas, como sou de outra década, não vou poder colaborar (hahahaha). beijos a todas e sucesso sempre.

  4. Sil, você sabia que ainda tenho uma cópia do seu “Fusca azul”, com dedicatória e tudo?
    Que bom que seu sonho não ficou naquele conto apenas.
    Bjs

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