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Cindy Josef, a ex-maquiadora que virou modelo e agora criou a Boom! uma linha de maquiagem especial para mulheres que querem poder experimentar sua beleza...sem artifícios! Conheça o site da marca aqui: http://www.boombycindyjoseph.com Não são incríveis os cabelos dela?

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Não são incríveis os cabelos dela?

“Não que tenha sido uma decisão fácil. Não foi não. Mas ia virando uma urgência assim, aos pouquinhos. E então, num dia 31 de dezembro tornou-se minha mais importante resolução de Ano-Novo: deixar os cabelos brancos. E deixei. Fazem exatos13 anos.

Achei que era uma coisa minha, mas aqui e ali fui encontrando companheiras de ousadia. E percebi que, no fundo, os cabelos brancos eram uma provocação. E são, até hoje. Tive certeza disso no outro dia, quando encontrei no cabeleireiro uma “colega” que, ainda mais ousada, tinha deixado crescer seus cabelos à moda de Gisele Bündchen e me dizia: “não tem um lugar aonde eu vá que as mulheres não discutam se eu devia ou não ter parado de pintar os cabelos, se eu parecia ou não envelhecida, se estava ou não mais bonita ou mais feia. É engraçado, faz as pessoas se refletirem, como se estivessem diante de um espelho, mas eu adoro”, ela ria balançando suas madeixas cor de pérola.

Como foi que uma coisa aparentemente tão simples como pintar os cabelos ficou tão complicada, tão cheia de significados mais ou menos explícitos?

A forma como vemos nosso corpo está impregnada de fantasias, de desejos, de sonhos. E o corpo das mulheres desde sempre foi vestido de tabus e de preconceitos, talvez refletindo o mistério que se encenava em seu interior. O fato é que hoje, talvez até mais do que em qualquer outro momento, mulher é igual a mulher jovem, e ponto. Estamos tão acostumados a rimar mulher com juventude que é quase impossível imaginar outras belezas, outros jeitos.

O que será que assusta tanto na imagem da mulher velha? A resposta mais óbvia seria: o medo da morte. Por trás do cabelo branco, das rugas, das marcas da vida, se esconde o pavor do final. Parece lógico. Mas, homens de cabelo branco — e se tiverem barbas brancas ainda melhor – evocam imagens de sábios. Que imagens estão por trás da figura da Anciã, da Velha? Era uma vez uma época em que as mulheres velhas eram poderosas. Quer ouvir essa história?

Então vou pegar o livro A Velha, de Bárbara G. Walker e contar para você. A Velha era parte de uma trindade feminina que incluía a Virgem, a Mãe e a Anciã. Ou, nas palavras de Bárbara Walker: a Criadora, a Preservadora e a Destruidora. Para nossos longínquos antepassados o universo era o filhote sempre renovado de uma superdivindade feminina primordial, a Grande-Mãe, ao mesmo tempo senhora da vida e da morte. Todas as intuições primitivas sobre o ser feminino estavam contidas dentro dela. Com o tempo, essas imagens foram ganhando autonomia, dividindo-se ou desdobrando-se. As deusas Hebe, Hera e Hecate, da Grécia, por exemplo, eram, provavelmente, rostos diferentes de uma só divindade, que explodiu em algum momento da história em milhares de fragmentos. Hebe seria lembrada como a personificação da juventude e Hera, permaneceria para sempre a esposa de Zeus e senhora do Olimpo. Mas Hécate continuaria a personificar o desconhecido, eternamente ligada ao mundo das sombras, tão poderosa que o próprio Zeus não mexia com ela.

Tão antiga é a figura de Hécate que em outras versões do seu mito ela aparece associada com Ártemis, a deusa-donzela que domestica as forças selvagens da natureza e com Selene, a deusa-mulher da Lua. Os homens recorriam à Hécate para pedir graças, como riquezas e vitórias. Dizia-se que era ela que tornava os peixes abundantes ou fazia o gado definhar e morrer. Hécate é a senhora das artes mágicas e aparece aos magos e feiticeiras com um archote na mão ou como animal. Ainda mais interessante: seu reino é nas encruzilhadas, os lugares onde os mundos se encontram e onde se abrem os portais que permitem aos seres humanos passar de um lado para outro. Hécate guarda em si mesma a antiga trindade feminina e surge como uma mulher com três cabeças ou três corpos.

Talvez a Velha seja uma filha natural de Hécate, incrustada na nossa memória. Lembrança de um tempo em que vivíamos em maior harmonia com os ciclos da Natureza e a morte era uma aventura, cheia de mistérios. A Anciã traz a morte dentro de si e é a rainha absoluta da escuridão e do mistério. É ela que espera, no final da linha, para acolher tudo que vive em seu útero. E nessa escuridão úmida, ela recicla sem descanso nem tristeza o Universo.

Segundo Bárbara Walker, a Velha era o mais temido aspecto da trindade feminina e o mais poderoso. Nas sociedades pré-cristãs, as mulheres velhas eram encarregadas de infindáveis rituais religiosos, eram parteiras, médicas, curandeiras e possuíam o conhecimento acumulado que as tornava mestras em assuntos tão variados como o cuidado dos bebês e a forma correta de preparar os que iam morrer. De fato, ao longo da história, se a medicina era assunto dos homens, o cuidado dos doentes, das mulheres que iam dar a luz e das crianças, tradicionalmente era uma tarefa feminina, mais ainda, tarefa das “mulheres mais velhas”, coisa de avó. E é a Avó que nos pega pela mão e nos faz ver um outro lado da Velha terrível, amiga da morte: a Velha sábia e grande contadora de histórias. Bárbara Walker conta que a palavra “saga”, que originalmente se referia às canções nórdicas que relatavam assuntos lendários, literalmente quer dizer “aquela que fala” ou “a sábia”. As sagas da Escandinávia eram histórias sagradas que foram preservadas porque as sagas ou velhas sábias sabiam escrever em runas. Os homens nórdicos, aparentemente, estavam sempre tão ocupados com as guerras que, em geral, eram analfabetos. Curiosamente, em latim, a palavra “saga”, acabou virando sinônimo de bruxa ou feiticeira.

Criadora, destruidora, sábia, bruxa, as histórias da Velha são incontáveis e, você sabe, não precisam ter acontecido “de verdade” para “ser verdade”. Como outros tantos símbolos, imagens assim moram dentro de nós. Resta descobri-las e, quem sabe, conversar com elas de vez em quando.”

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13 pensamentos em “O dia em que assumi os cabelos brancos e outras histórias

  1. As mulheres ousadas vivem um passo na frente das outras.
    Acho que não tenho medo de envelhecer, embora minha sábia irmã tenha dito uma frase muito significativa outro dia: dá uma preguiíiiiça…
    Mas tenho medo que um dia o medo se aposse de mim e sinto que as mulheres ousadas já viram isso e estão lá na frente, rindo de nós.

  2. Adorei as histórias da Velha. E fiquei pensando que algo (ou muito?) do poder feminino vem exatamente das fantasias, desejos e sonhos que o corpo emana, ao lado de tabus, preconceitos etc. E por isso é muito menos o medo da morte (desconhecida) e muito mais a constatação da perda de poder (conhecida e reconhecível) o que assusta na imagem da velha.

  3. Achei o máximo.
    Tenho 62 anos e agora decidi assumi os meus grisalhos devido ao crescemento rápido. Estou amando,meu novo visual, espero não me deixar com ar tristonho. Mas como sou risonha, acho difícil de acontecer.
    Obrigada pelo estímulo.
    Abraços

  4. Estou atravessando a fronteira e quase chegando lá. Os cabelos estão naturais, com todos os brancos, cinzas e os castanhos de sempre.’É muito mais fácil e leve , sobram horas para fazer outras coisas na vida. Adília, adorei o texto, beijos

  5. CHEGUEI AOS 50, E, É TANTA LUTA PARA TINGIR, ESTICAR, UMA TRABALHEIRA SEM FIM, UFA…UFA….
    VOU ARRISCAR; SIMPLESMENTE DEIXAR ACONTECER OS BRANCOS…..
    JÁ ME SINTO MAS LEVE….

    BJAO

  6. Desde meus 14 anos, já tenho sinais de brancos na cabeça! E agora aos 37 decidi de vez ficar com minhas lindas mechas brancas. Causa certo desconforto sim, mas para quem olha e diz: Pô Luciana tá na hora de pintar os cabelos hein?. E eu digo: mas são luzes naturais, lindas! Sinônimo de experiência, nos 37 anos bem vividos, de sábias decisões, sábios conselhos. Bruxa? sim e com o maior orgulho! rsrsrsrsrsrsrsr
    Luciana – Porto Alegre

  7. Adília! Maravilhoso!
    Mas independetemente das forças da Igreja contra as mulheres, nas línguas faladas européias o povo analfabeto preservou o conteúdo da mensagem:
    Em português/castelhano/italiano; sagaz/sagace, sagacidad(e)/sagacità; saggio.
    Em inglês/francês; sage, sagacity/sagesse.
    Alfabetização coletiva é coisa pós 2ª Guerra: antes, cada povo tinha sua escrita, e, afora elites, eram todos analfabetos.
    Os guerreiros nórdicos conheciam os símbolos com que faziam runas, que iam deixando – prenhes [ outra palavrinha ‘mágica’ ] de significado – ao longo dos lugares que invadiam.

  8. Tenho 54 anos e no começo do ano passado comecei o processo de parar de tingir para ver como ficaria…na verdade comecei a tingir ao contrário, deixando a raiz e clareando o resto, ficou ótimo e agora está todo grisalho.
    Claro que num corte mais moderno(ainda estou tentando, os cabelereiros parecem ter medo de ousar..rs)
    Assim como vc, as pessoas, em qualquer lugar que chego querem perguntar sobre o que me levou a isso, etc…todos adoram e sinto sempre uma ponta de inveja pela coragem, afinal…mulher não pode ter cabelos brancos mas o homem fica LINDOOOOO
    Estou super feliz de não precisar me sentir obrigada a retocar o cabelo a cada 20 dias….LIVRE ENFIM…rs

  9. Já faz algum tempo que venho pensando em mudar a minha aparência. Talvez “mudar” não seja exatamente o termo, e sim, “assumir”. Fiz 61 anos há pouco e tenho muita vontade de me libertar dos padrôes formais da idade, das convenções que não nos acrescentam nada e, enfim, ser eu mesma. Conversei com os meus filhos e eles foram unânimes :”Não, mãe, tu não és tão velha assim!…”Mas a ideia não é essa:quero assumir a minha idade, sem abrir mão dos meus direitos e prazeres femininos.Quero ser eu mesma, elegante, avó e feliz…

  10. Eu até deixei, mas como estou acima do peso fico com cara de vovozinha, mesmo com 50 anos e poucas rugas. Prefiro optar por isso quando estiver mais magra.

  11. Há seis meses não pinto o cabelo,sou muito estimulado pelo meu marido para deixar o natural branco,estou muito feliz por isso, e também por não ter obrigação de pintá-lo todo mês.Dizem que os homens ficam lindos de cabelo branco, então nós mulheres ficaremos belissimas.E viva nossos cabelos brancos!!!

  12. Que texto lindo! Nunca pensei em esconder meus cabelos brancos…. Estao chegando bem aos poucos mas nao vou esconder não! É lindo mulher de cabelo branco é não é fácil assumir mesmo! Tem que ser muito mulher mesmo. Lindo o texto

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