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Por Tanya Volpe

Voltei.

De malas prontas, listas feitas, endereços conferidos, fui para Paris. Rever alguns lugares, descobrir outros. Aqui você compartilha das minhas impressões

Há alguns anos, fui jantar no Ze Kitchen Galerie de William Ledeuil. Minhas lembranças não eram especialmente boas, mas as críticas vindas de críticos dos mais variados estilos, sempre foram elogiosas.

Ledeuil, está no mercado há anos, trabalhou com Guy Savoy, um chef 3 estrelas muito competente, antes de abrir esta sua primeira casa.

O Ze Kitchen Galerie já tem até um desdobramento, no final 2009, Ledeuil abriu o KGB, Kitchen Galerie Bis, uma versão mais ‘jovial’ e simplificada do original. Todas as críticas novamente foram super favoráveis.

E mais, a revista Gault Millau nomeou Ledeuil como ‘chef do ano 2010’ e ele também foi o ganhador de honra , em 2009, do Prêmio Fooding .

Por tudo isso desejei retornar e reavaliar a comida desse chef que não tinha me deixado “grandes recordações”. Escolhi a novidade , o KGB.

Convenci meus amigos de que devíamos ir, que tínhamos de conhecer.

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Nossa mesa nos esperava conforme a reserva.

As salas do restaurante tem um ar moderno, com paredes pintadas de diferentes cores, e, acho que para fazer jus ao nome (galerie), ‘obras de arte’ , de gosto duvidoso, penduradas nas paredes. Devo dizer que isso é uma constante em diversas outras casas, que, querendo fugir do clássico, “erram a mão” no moderno. No salão, sem nenhum tratamento acústico, o barulho era absurdo!

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O garçon solícito e simpático, nos apresentou a carta fazendo um discurso extenso e de difícil entendimento. O que deu para entender:  podíamos montar a refeição de várias maneiras. Os detalhes dos ‘pratos do dia’, esses se perdiam em meio à prolixidade do garçon e ao barulho da sala.

Olhávamos a carta meio atordoados , quando ele interrompeu o discurso e perguntou de onde éramos. Ao saber disse – Oh poixsss então podemos falar em português! Explicou-nos novamente as possibilidades da carta , agora na nossa língua materna, e, confesso que nossas dúvidas persistiram ( acho horrível esse tipo de lugar que faz você se sentir “inadequado”, burro…).

Tentamos fazer nossos pedidos. Evidentemente “errados” à principio, até chegarmos em um consenso.

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Então os pratos começaram a chegar. Amigos escolheram as cinco possibilidades de “zhors d’oeuvres ” e eu e uma amiga ficamos com as entradas de massas. A dela, com “foie gras” e “canard”, a minha, com camarão.

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Os pratos foram apresentados lindamente, em louças ainda mais lindas Bernardaud. Mas, o barulho era tanto que desanimava a conversa. Restamos quase quietos na frente das nossas “iguarias’ .

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Ledeuil é um chef competente, com uma formação bem consistente, o que se evidencia na alma, no cerne das receitas. Todos os produtos são fresquíssimos e cozidos no ponto perfeito. E, no primeiro momento, você consegue se surpreender com o sabor do capim-limão, do manjericão, da erva-doce, da pimenta sutil, mas, com personalidade.

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O encanto desses sabores “exóticos” dos primeiros pratos vai se perdendo ao longo do jantar: eles se repetem em toda a sequência. Tanto faz que eu tenha pedido, “agneau de lait”, minha amiga salmão e meu amigo o peixe do dia, um “turbot”. As cores e os legumes podiam variar, mas as indefectíveis espumas estavam em todo lugar e as ervas “thai” também.Você se lembrava da deliciosa sopinha de agrião da entrada, comendo, o foie gras, o carneiro ou o salmão…

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Curiosos tempos modernos esses nossos.

De fato, existe ali uma “fórmula”, um cardápio sucinto, com ênfase (esperada) nos “produtos do marché” (que existe desde sempre nas casas das nossas avós e, desde os anos 60, pós-nouvelle cuisine, nos restaurantes ).

A fórmula deve ser economicamente bem rentável.

Então me pergunto. Cozinheiro do ano é aquele que inventa, que inova, na cozinha ou no “negócio” ?

Sei lá.

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Pedimos duas sobremesa para os quatro da mesa. Uma com banana e outra com marmelo. A emoção quase já tinha ido dormir….!

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Só sei que ao pedirmos a conta, nada amigável, ainda mais levando-se em conta as situações “adversas”, nos levantamos para sair. Ao recebermos nossos casacos e manteaux , uma surpresa. Eles estavam bem quentinhos pois haviam sido conservados em um estufa, durante nossa permanência no restaurante, para, segundo o maître, nos fazer prolongar na fria noite desse inverno ultra rigoroso os prazeres que vivenciamos ali (ou… que deveríamos ter vivenciado!).

Confesso, adorei essa delicadeza, de extrema simpatia!

Paris je t’aime aussi!

* agradecimentos a Valentina Soares pelas fotos das sobremesas

KGB – Kitchen Galerie Bis
25 rue des Grands Augustins 6 eme
tel 01 46 33 00 85
metro St Michel
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Um pensamento em “Tempos modernos

  1. Essa aventura foi bem assim, mesmo! Posso atestar! Só que não poderia nunca fazê-lo com as palavras deliciosas da Tanya que, além de nunca serem ríspidas ou indelicadas, reconstroem perfeitamente nossas sensações de tal forma que até sinto vontade de vestir o casaco quentinho, mesmo nesse clima louco do verão paulistano.
    Vamos voltar? Para Paris, ao KGB não é necessário, certo?
    Obrigada por compartilhar conosco sua sabedoria de viajante! beijo da Marcia

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