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 “Gostei”, “Muito bom” é pouquíssimo retorno para o trabalho da cineasta alemã Doris Dorrie, que fez o filme Hanami – Cerejeiras em Flor. São opiniões de homens, sempre econômicos na linguagem, que viram o filme comigo. Como é que eles não conseguiram se deslumbrar com a sensibilidade da história, genialmente traçada em palavras e imagens? Talvez não tenham conseguido apenas se expressar. Coisa que os cientistas atribuem a peculiaridades de homens e mulheres no cérebro e que tem influência no modo de agir masculino e feminino.

Em Cerejeiras em Flor, masculino e feminino se fundem com a máxima humanidade e delicadeza, alegria e tristeza, presença e ausência na história do casal Trudi, ela, e Rudi, ele. Ambos têm sonhos, expressões aprisionadas no cotidiano da vida a dois, já longe dos três filhos adultos. Adultos também aprisionados em emoções de criança.

Trudi e Rudi se amam com gestos e hábitos serenos, sem pressa, até que o tempo lhes impõe urgência. A comunicação amorosa, tão bela e sutil, não pode mais ficar enquadrada, estática, como as lindas paisagens presas em molduras de janelas, cartões postais, fotos e telas que os cercam. O amor tem de fluir antes que seja tarde. Um dia a mais é recompensa, ensinam os versos de “efêmera”, sempre lembrados por Trudi ao ver a vida de uma mosquinha chegar ao fim.

A urgência está lá, mas diluída, sensível, traduzida em imagens sublimes. Rudi é daquele tipo que preferia que nada mudasse na vida, nunca. Cumpre seu cotidiano na maior seriedade. Sua única transgressão, com sabor de travessura, é não comer a maçã que acompanha o lanche preparado pela mulher e levado ao trabalho. “Uma maçã por dia, a ida ao médico adia”, repete sempre ele antes de descartar a gentileza da esposa e passar a fruta adiante. Mas é desse seu mundinho metódico que ele se lança numa viagem de corpo e alma, apenas com o apoio de um lencinho.

Trudi encarna a amabilidade, a elegância espiritual resumida na frase de uma professora de dança: “Tudo fica mais fácil com um sorriso”. Mas outra Trudi vivia. O sonho dela estava longe, no Japão. As cerejeiras em flor, num parque de Tóquio, mostram ao marido o caminho para se aproximar da esposa. Dois rolinhos de repolho dão o toque final dessa bela união que poderia acontecer (ou não) a todos nós – antes, durante, depois e muito, muito além dos fifties.

Mais não conto, para não estragar o prazer alheio. Todos têm direito a essa recompensa, efêmera como a vida da mosquinha.

Foto: Renata Pancich, no flickr, conteúdo em licença Criative Commons http://www.flickr.com/photos/renata_pancich/3767504590/ 

Pesquisa da Renata sobre a cerejeira:

Sakurá (cerejeira), a flor nacional do Japão, é símbolo de felicidade: é na época de seu florescimento que as crianças iniciam o ano escolar, que os recém formados saem em busca de trabalho. O chá de pétalas de sakurá é utilizado em rituais como casamentos e ocasiões festivas. Na época de seu florescimento, são realizadas as festas chamadas de “hanami” (ver as flores), ao ar livre, debaixo das cerejeiras em flor.

Singela e efêmera, a flor sakurá também tem seu lado trágico. Para os antigos samurais não havia glória maior do que morrer num campo de batalha coberto de pétalas de cerejeira. No teatro Kabuki, esse cenário indica que haverá um movimento do vilão ou acontecerá uma tragédia. Estima-se que, no Japão, existam perto de 200 espécies de cerejeiras, com flores que vão do vermelho ao branco, passando pelo rosa e pêssego. (Fonte: Japan Foudation/São Paulo)

 Cerejeiras em flor: a vida em dois rolinhos de repolho, por Lélia Amaral

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9 pensamentos em “Cerejeiras em Flor: a vida em dois rolinhos de repolho

  1. Lélia,
    Comentários masculinos costumam ser concisos e contundentes. Mais que o necessário é supérfulo!
    Se o filme é bom, “Gostei”. Se é ruim, “Não Gostei” …
    Pra que mais?
    Aliás, o post é sobre o filme ou sobre nossa veia verborrágica?

  2. Lélia,

    Adorei o “véia verborrágica”. Lembraria minha avó, se eu a tivesse conhecido… Agora, soltar a franga já soltamos faz tempo. Você não reparou, no último hh misto?

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