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Além de dinossáurica nestes tempos digitais, constato que sou uma analfabeta científica. Tempos e tempos atrás levava meus filhos, então com uns 9, 10 anos, a uma oficina do Dr. Pardal. O doutor ensinava as crianças a construir engenhocas divertidas, e eles aprendiam ali, brincando, conceitos básicos da ciência. Muitas vezes estive na sala de espera da escolinha ao lado de um colega jornalista que, agora descubro, virou um craque da divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela USP e editor da Scientific American Brasil. Se eu tivesse tido um pai ou professor como ele, poderia não ser cientista, mas não seria analfabeta na área.

O curioso é que meu pai era um cientista, mestre, doutor, o catedrático em microbiologia na USP. Inúmeras vezes fui com minha mãe buscá-lo no trabalho, e dava umas passeadas no laboratório. Não sei por que essas oportunidades não foram aproveitadas para despertar interesses científicos em mim e nos irmãos. Talvez a correria do cotidiano, talvez o ambiente não comportasse espaço para “gracinhas” com crianças, o mesmo tipo de gracinha que um  controlador de vôo, nos EUA, fez recentemente para os filhos e, que triste, se ferrou. Espero que as crianças dele só tenham guardado o lado bom dessa história.

O fato é que me deslumbrei com o jeito de o colega jornalista divulgar a ciência e contribuir para o alfabetismo científico.  Esbarrei com um artigo dele que começa assim: “Da próxima vez que alguém perguntar quantos anos você tem, pense uns dois segundos antes de responder. O que exatamente seu interlocutor deseja saber? O que ele está perguntando, que você pode responder, eventualmente sem saber é: quantas voltas você já deu em torno do Sol? E isto porque um ano é exatamente o período que a Terra consome para dar uma volta inteira ao redor do Sol.”

Que maravilha! A esta altura só me resta adaptar o jogo com os netos que um dia virão. Já imaginaram como uma criança pode ver o céu com outro olhar se ouvir que o caminho que a Terra faz em torno do Sol é de aproximadamente 900 milhões de km e que isso significa, se ela tem X anos, que já viajou X bilhões de km em torno do Sol? A idade de alguém, assim, passa a ser muito mais interessante, diz o mestre-cuca jornalista. Fico tentada a calcular quantos bilhões de km já fiz em torno do Sol, mas não sou mais criança. Em mim se instalou, em vez da curiosidade, a preguiça científica.

Prefiro continuar contando sobre a criatividade do divulgador científico.

Que “viajamos” em torno do Sol a uma velocidade 120 vezes superior à de um jato comercial, que voa a cerca de 900 km por hora. Uma pessoa caminha em média 6 km por hora. A Terra voa em velocidade 18 mil vezes superior.

Aí o seu eventual neto já virou super-homem, mas vai sacar que na verdade se sente parado, assim como as estrelas que ele vê no céu. A estraga-prazeres responsável pela sensação é a distância, mas na verdade tudo está se movendo como “um polvo luminoso com seus tentáculos distorcidos. O Sistema Solar está num dos tentáculos do polvo-galáxia que abriga um enorme e faminto buraco negro”.

E o grande final, aqui, está em mostrar com o que tudo isso se parece: com um raio de Sol entrando pela fresta da janela, exibindo aquela faixa de poeira em movimento.

“… esta imagem quase onírica de uma manhã despertada no campo, com algum tempo para refletir sobre a vida, sem ter de se levantar, engolir rapidamente o café de manhã e correr para o trabalho. …”

Nunca olhei para o céu assim. Passamos, eu e o tempo. Talvez tenha sido bom. Acho que se tivesse entendido que eu fazia parte de uma poeira, e de estrelas!, não correria de volta à escola e muito menos ao trabalho.

Para ler o artigo completo:

http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/o_ceu_que_nos_envolve.html

Para melhorar o dia dos analfabetos científicos, por Lélia Amaral

Foto: Faunfretquepela, no Flickr, sob licença Creative Commons

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15 pensamentos em “Para melhorar o dia dos analfabetos científicos

  1. Lélia, MARVILHA! Se o médico perguntar se fiz exercícios, como ele recomendou, vou afirmar – todo alegre e pimpão – que nos últimos tempos andei +/- 51,5 bilhões de kms!
    [ABLélia – form]

  2. hmmm….. errado, Geraldo. Agora, sim:

    Lélia, MARAVILHA! Ao médico perguntar se fiz exercícios, como ele recomendou, vou afirmar – todo alegre e pimpão – que nos últimos tempos andei +/- 51,5 bilhões de kms!

  3. Lélia, considerando a velocidade de rotação da galáxia, aumenta e muito. O sol viaja à velocidade de 225 kms/segundo em relação ao Universo.

  4. Geraldo, tá pra ver que vc não é um anarfa das ciências. Eu não ousei calcular quantos kms já andei, mas devo ter andado do seu lado, não é? Agora, gostei é do uso que vc fez do cálculo. Bjs

  5. Adorei ser poeira de estrelas dançando no solzinho da manhã. Só tenho dúvidas quando ao polvo faminto na esquina do céu….

  6. Lélia, sobre a fome dos buracos negros, minha suspeita é a de que este Universo não é consequência do 1º BigBang: acho que já houve ‘n”, e haverá mais.
    Conversando com Marcos Calil, Chefe da Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, fiquei surpreso dele afirmar que nunca havia pensado na hipótese que levantei.
    Quando ouvi falar em BigBang eburacos negros, concluí inocentemente que o universo deve seguir, regras gerais da física. I.e.: na antureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma; e toda a ação gera uma reação igual e contrária.
    Logo, se há uma explosão, deve haver uma contração
    Se os buracos negros sugam tudo que estiver a seu alcance, até mesmo a luz, isso significa que. em algum momento futuro, concentrarão toda a matéria existente no Universo. Então e a meu intuitivo, atrair-se-ão uns aos outros. E, após concentrarem toda a matéria, luz, energia existente, o macro-buraco negro explodirá em outro Bigbang. E assim por diante.
    Mas é só diletantismo da minha parte.

  7. Lélia,

    Tudo muito bonito e poético, mas me pareceu mais um recado dirigido aos filhos (e candidatas a nora)… Enquanto isso, nosso amigo Geraldo acaba de explicar como funciona a torcida do curintia, quando o time tá em má fase!!

  8. In Singapore there are only 3 local banks and ? brokering firms, if stop trading with them, where can we go. For this reason, i think it is wrong to have so few local banks. Another example why Singapore wants to be no. 1 in the world!12.33am- Every thing must come with a prize,class action will put more presure on MAS.

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