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Maitê Proença e Clarisse Derzié Luiz protagonizam À beira do abismo me cresceram asas, adaptação de histórias colhidas em asilos por Fernando Duarte

Não, não se trata de uma comédia. É claro que a realidade dos fatos vem traduzida numa linguagem bem humorada que faz rir, mas, como diz Maitê Proença, a gente ri por meia hora e depois se comove.

A peça “À Beira do Abismo me Cresceram Asas”, dirigida e escrita por pela atriz em dupla com Clarice Niskier e supervisão de Amir Haddad, de fato, mexe com a gente. Ninguém deixa o Teatro FAAP, em São Paulo, sem levar consigo as reflexões que o texto inspira. É uma adaptação de histórias colhidas em asilos por , que se transformou num encantador diálogo entre duas mulheres, numa casa de repouso para idosos onde vivem.

Terezinha (Maitê), de 80 anos, levou uma vida mais organizada como mãe de família. Guarda boas lembranças e alguns segredos. Valdina (Clarisse Derzié Luz), 86, é mais espevitada, nunca se casou, gosta de uma cervejinha e revela sua face transgressora no jeito de falar e no modo de vestir. O lema da dupla e o que as une é a consciência de que não há tempo a perder. Precisam viver o que a vida lhes oferece, achar graça no que o universo apertado do asilo pode proporcionar.

O dia a dia, costurado em deliciosas conversas, ajuda as duas a cerzir as tristezas como o abandono dos filhos, a saudade de um amor antigo, as oportunidades não vividas. Elas só têm uma à outra e essa amizade mantem vivas a riqueza interior, as emoções e a imaginação que, tanta gente supõe, a idade tenha roubado.

Há frases memoráveis, daquelas que vale a pena anotar, como:
“velhice não é para covardes”. O texto lembra também como essa é a fase em que caem as máscaras, não se tem mais cerimônia para tratar as coisas, adquire-se certa autoridade. “Um momento tão interessante”, diz Maitê.

O cenário é simples. Duas cadeiras onde as amigas se sentam para conversar e fofocar, uma das alegrias que cultivam de forma quase adolescente. A iluminação, discreta e correta. O figurino, tradução perfeita da identidade de cada uma delas. Tem muita música boa. Tem dança. Tem alegrias e tristezas, numa obra carinhosa que nem por um minuto resvala na pieguice. Para os mais velhos, traz esperança de que a velhice possa sim, ser um bom momento. Para os mais jovens, um convite a se sentar junto a essas mulheres e às suas velhas e aprender coisas incríveis sobre a vida e suas implicações.

Adorei.

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7 pensamentos em “Velhice com encanto

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