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Novas e assustadoras pesquisas prenunciam métodos de intervenção nas lembranças que guardamos de nossas vidas

Novas e assustadoras pesquisas prenunciam métodos de intervenção nas lembranças que guardamos de nossas vidas

 

Não se anime imaginando que vamos falar de uma nova terapia para recuperar a memória. Nem que alguém tenha descoberto a cura para o desgaste natural que os anos impõe a todos nós, roubando a eficiência do HD cerebral. A notícia é muito mais surpreendente.  Muito melhor. Ou muito pior…

Ler o artigo do jornalista João Pereira Coutinho, em sua coluna na Folha de São Paulo, dias atrás, me deu a sensação de estar diante de uma crônica de ficção científica, uma provocação inteligente do articulista pra fazer o leitor pensar. Nada disso. A notícia era pura verdade. Lá vai: a revista Science, respeitável veículo de divulgação de pesquisas e estudos científicos, publicou o trabalho de uma equipe do também consagrado Massachusetts Institute of Technology, relatando o sucesso no implante de memórias falsas no cérebro de ratinhos. O mesmo grupo já tinha conseguido, apagar certas memórias, lembra Coutinho.

Claro, estamos falando de ratinhos. Mas o objetivo, certamente, é evoluir para uma limpeza das más lembranças e implante de novos dados em humanos.

Tal proeza, quando praticada em gente como a gente, pode significar esquecer eventos dramáticos. Coutinho cita casos de soldados e suas vivências de guerra, pessoas que sofreram  violência extrema, vítimas de crimes brutais — nesses casos, um reset seria bem vindo? Mas… quem administraria o conteúdo dessa faxina cerebral. O processo seria responsabilidade da vítima? Ou uma decisão de um colegiado de especialistas? Quem julgaria o que deve ficar e o que deve ser eliminado da história de cada um de nós?

O artigo levanta ainda a questão do valor das experiências difíceis, do sofrimento, da dor como caminhos de aprendizagem. E lembra como já vivemos protegidos do medo, da ansiedade, da angústia por uma série de medicamentos que nos afastam de uma busca de autoconhecimento e luta pelo equilíbrio, talvez, necessário, apesar de sofrida.

Pra pensar em casa.

*** ***

Coincidência ou não, ontem mesmo assisti a um filme de 2005, VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE, com Robin Willians. Ele é um “editor” de memória. Entenda o enredo: pessoas privilegiadas possuem um implante de memória, comprado pelos pais antes de nascerem, que registra todos os fatos de sua vida. Depois da  morte, o artefato é retirado e o conteúdo editado num filme que resume a trajetória da pessoa, transformando-o num ser querido e respeitável. Eis um jeito diferente — mas bastante discutível — de usar a mesma tecnologia.

http://www.imdb.com/title/tt0364343/

*** ***

Outro filme que trata desse assunto é BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS, de 2004, com Jim Carrey e Kate Winslet. Conta a história de um casal que passa por um processo de eliminar as memórias de seu relacionamento para esquecer o final infeliz. Feita a faxina, eles vão pagar alto preço por uma solução que parecia sensacional.

http://www.imdb.com/title/tt0338013/

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3 pensamentos em “Faxina na memória

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