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Às vezes, a vida, mesmo depois que a gente deixa de ser criança, parece mesmo um jogo de tabuleiro como esse, Stone Rabbit,  baseado no HQ de mesmo nome criado por Erik Caddock: podemos representar nossos medos e desejos e apostar que os dados nos darão sorte

Às vezes, a vida, mesmo depois que a gente deixa de ser criança, parece mesmo um jogo de tabuleiro como esse, Stone Rabbit, baseado no HQ de mesmo nome criado por Erik Caddock: podemos representar nossos medos e desejos e apostar que os dados nos darão sorte

É assim, você vai sair de casa. Simples. Pega a bolsa, chave do carro, chave da casa, dá tchau para a cachorra, bate a porta. Chega no carro, descobre que esqueceu o celular. Droga! Volta, cadê o celular? Pega o telefone sem fio, liga para o seu número, caixa postal, ‘esqueci de tirar do modo silencioso ontem, depois do cinema, você pensa’, a Jo vem, solícita e assim, meio maternal, ‘está aqui dna. Adilia, estava debaixo do jornal na mesa do café’, claro! Thanks, Jo, tchau! Volta para o carro, cadê a chave? Sim, vc deixou na mesa da cozinha. Volta para buscar. O celular toca. É sua sócia querendo saber se você está chegando para a reunião. Claro, estou chegando, diz você, segurando o celular no ombro enquanto entra na cozinha para…o que mesmo que você tinha ido buscar?

Ando desenvolvendo uma teoria de que envelhecer não é difícil, mas fica tudo mais demorado porque a gente precisa de mais passos entre as coisas…confunde, esquece, esquece de novo, volta, volta de novo, avança duas casas, volta uma, pega o que esqueceu, avança três, troca os nomes, volta duas….a por aí vamos todos, percorrendo os labirínticos quadradinhos do Jogo da Envelhescência!

Nesse jogo, tenho certeza, esquecimentos obrigam você a voltar casas, mas desânimo e mau-humor são penalizados com a perda daquelas cartinhas alegres de bônus: conquistas, afetos, oportunidades, alegria de viver…

Conto da ideia do jogo para o Michel, que me pedia desculpas por ter confundido o nome do meu neto. “Que bobagem!”, consolo meu pobre amigo recém-chegado ao jogo, “lembrar o meu nome já está mais do que bom, nome de neto nem vale!” No dia seguinte ele me diz que esteve num jantar com velhos amigos — em todos os sentidos –, que eles tinham ensaiado uma primeira experiência de ‘jogar’ o jogo, e que tinha sido absolutamente hilário!

Esse jogo vai ser um sucesso, tenho certeza!

Enquanto isso, fiquei pensando em algumas regras (sim, todo jogo tem regras, certo?): consultar o Google na hora da dúvida, vale ou não vale? Esquecer os óculos é desculpa para não jogar? Jogar de casal conta menos ou mais pontos? (Como diz o Michel, aquele meu amigo lá de cima, o parceiro é o melhor banco de dados de você mesmo, então jogar o jogo fica mais fácil quando você é…dois!).

E os desafios? Todo jogo também tem tarefas: conseguir aprender de cor — e ter coragem de declamar na frente dos amigos — aquela poesia do Drummond, concentrar-se durante 5 minutos naqueles exercícios para cérebros alquebrados que você baixa no iPhone, fazer conta de cabeça, cantar sem ler a letra, contar histórias do início ao fim sem gaguejar, lembrar dos livros que leu nos últimos meses, fazer bolo sem receita, as cartas de desafios são fáceis de criar…

Como estamos inventando um jogo totalmente recém-imaginado, podemos até decidir que nesse, ninguém perde nada porque a vida já vai se encarregar disso. Podemos subverter tudo e inventar que quem tirar o menor número nos dados avança e quem tirar o maior número fica paradinho esperando a próxima rodada, passamos tantos anos querendo mais que no Jogo da Envelhescência o legal é querer menos…pronto!

E quem ganha? Bom, podemos conversar sobre isso, esse nosso jogo é muito democrático e só faz sentido se formos muitos, se formos amigos, solidários e generosos uns com os outros, e, sobretudo, se soubermos desenvolver uma certa compaixão por nós mesmos. Ganha quem, apesar do medo, continuar jogando até o final e o grande coringa do baralho é a capacidade de rir de si próprio!

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10 pensamentos em “O jogo da envelhescência

  1. Gostei da mensagem, mas não acredito que esse tipo de esquecimento seja da idade, ou velhice, mas sim do stress, do querer fazer tudo correndo, pensando em um monte de coisas.
    Já estive pior que isso e hoje estou bem melhor. Um conselho: quando isso acontece, fique calmo, e não se preocupe, pois pode melhorar!!!

    • Vc tem razão Maria Jose, stress é um dos grandes responsáveis por esses esquecimentos. Vamos soltar um post essa semana sobre isso, aliás…estamos chegando na menopausa mais estressados e os médicos andam preocupados, sobretudo com as mulheres…

  2. Realmente, queremos não perder tempo…e aí…acabamos perdendo dando voltas e mais voltas. Normal, há época em que ficamos assim… ë confortador saber que isso passa…e como passa…A mensagem é mt boa…Parabéns!

  3. Estabelecer um novo rítimo e novas formas de viver. Não dà mais pra viver como se tivesse 30 anos. Deixar o trabalho duro, estressante e competitivo para os mais novos e dedicar-se a coisas que exijam mais paciência, sobriedade, detalhismo (sem burocritar, è claro).

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