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Colesterol alto e longevidade não combinam. Fique de olho na saúde

Era 100. Agora é 70. Estamos falando das novas taxas consideradas limites de LDL, o mau colesterol, recomendadas para aquilo que os médicos chamam de população de risco. A rigor, essa mudança na taxa tolerável do colesterol ruim, que fazem parte das novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, poderia refletir apenas um rigor maior dos médicos na luta contra as doenças cardiovasculares. A novidade triste é que as mulheres na menopausa, que é quando perdem a proteção do hormônio estrogênio, passaram a engrossar esse grupo de risco e estão preocupando os médicos.

Alguns novos atributos femininos reforçam a nossa inclusão no grupo de risco: as mulheres estão entrando na menopausa mais gordas, muitas fumam, vivem estressadas, o que, somado aos fatores que independem do gênero, como histórico familiar, eventuais problemas renais e diabetes, favorecem o surgimento de doenças cardiovasculares.

Em algumas capitais do Brasil, segundo informou à Folha o cardiologista Hermes Toros Xavier, editor da 5ª Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, elas já estão quase empatando com os homens em número de infartos. E para ambos, mulheres e homens, se não mexermos no estilo de vida, pode haver um boom de mortes causadas por problemas cardíacos daqui a dez anos.

Em tempo: colesterol é uma substância gordurosa, esbranquiçada, sem sabor nem odor que faz parte da composição de alguns alimentos de origem animal. Existem dois tipos: o LDL (o mau colesterol) e o HDL (o bom colesterol), que limpa da circulação o seu colega maligno. Em pequenas quantidades, o colesterol é necessário para funções do organismo, como a produção de hormônios e a síntese da vitamina D. Em excesso, entope as veias e pode levar a problemas cardiovasculares, como enfarte, derrame, insuficiência cardíaca.

Esperança: Uma pesquisa americana associou um gene à longevidade e a altos níveis de HDL (colesterol bom). O estudo sugeriu que pessoas centenárias conservam um nível de colesterol naturalmente saudável para o coração. Foram analisadas 27 pessoas, seus filhos e companheiros desses filhos. A pesquisa mostrou que elas mantem um nível de colesterol naturalmente saudável para o coração durante toda a vida, mesmo que fumem, sejam sedentárias e não façam nenhum tipo de dieta. Além disso, transmitem essa carga genética a seus descendentes. Altos níveis sanguíneos de colesterol bom são uma proteção contra doenças cardíacas.

Segundo os cientistas, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, de Nova York, os centenários são portadores de uma mutação genética que mantém os níveis de HDL altos independentemente de dietas gordurosas, inatividade e fumo. Para os eles, se as pesquisas apontarem com precisão o gene que confere esses níveis benéficos de colesterol, será possível desenvolver uma droga capaz de reproduzir essa condição na população em geral.

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