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Depois dos 50, qual o sapato ideal? Tênis? Rasteirinhas? Será que é o caso mesmo de abrir mão dos saltos altos? O que fazer para caminhar com segurança pelos próximos anos?

Não estranhe nossa obsessão em relação a pés e sapatos. Em algum momento depois dos 50, além de fetiches eróticos, além de objetos de desejo favoritos, os sapatos tornam-se aliados preciosos, companheiros, cúmplices de nosso andar pelo mundo. Afinal, quem quer sair por aí cambaleando? Pior, quem quer levar um tombaço e quebrar aquele bendito fêmur? Por outro lado, como abandonar de vez a imagem de mulher que vem junto com um belo escarpin de saltos imensos? O que fazer? Arranjar um par constante que nos dê o braço? Comprar uma belíssima bengala?

Fomos fazer muitas perguntas para a Dra. Angela Bushatsky, fisioterapeuta, especialista em Reeducação Postural Global, mestre em Reabilitação Neuromotora e Doutora em Ciência pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Confira as respostas… e relaxe:

Como posso me certificar se o sapato me serve perfeitamente?
O período da tarde é melhor para comprar um sapato, pois caso seu pé tenha tendência ao inchaço, isso acontecerá depois de algumas horas em pé ou na posição sentada. Ao escolher um sapato pela manhã seu pé estará descansado e com boa circulação, mas não dá para garantir que continue assim o dia todo — pode aumentar de tamanho lateralmente e/ou no peito do pé.

Lembre-se ainda que é normal termos um pé um pouco maior do que o outro. Experimente sempre o calçado no pé mais largo ou maior, a diferença entre os pés, geralmente não é tão grande a ponto de haver necessidade de comprar sapatos de números diferentes, é melhor colocar uma palmilha fininha no sapato que está folgado do que usar sapato apertado. Não tenha pressa, em seguida, prove os dois pés e caminhe pela loja ‘ouvindo’ seus pés e não a vendedora.

É preciso deixar um pouco de folga na ponta? E nas laterais, o sapato ideal fica um pouco folgado?
Sapato apertado obriga você, depois de algum tempo, a fazer muitas compensações para se adaptar, afetando a posição correta de pés, tornozelos, joelhos e até pelve (bacia) para fugir do desconforto. Sapato folgado também pode fazer estragos pois o material vai ficar roçando a pele, o que pode criar um calo, uma das maneiras que o corpo encontra para proteger a área que está sendo agredida. O sapato ideal veste sem apertar nem deixar folga.

Esses detalhes variam de acordo com o material usado?
Sim, os tecidos são mais confortáveis e se amoldam melhor aos pés, assim como as camurças e couros mais fininhos. Não se preocupe pois o material macio não se deformará se estiver no tamanho certo. Caso isso aconteça, o problema deve estar no modo de pisar e então você precisa da orientação de um ortopedista. Sapatos de plástico tendem a ser mais duros e machucar os calcanhares ou logo abaixo dos maléolos (aqueles ossinhos de cada lado do tornozelo).

Qual a recomendação para pés maduros?
Não se pode estabelecer o que seria um “pé maduro”. Tudo depende Será o pé de uma mulher ativa com 60 anos de idade, acostumada a usar saltos? Ou o pé de uma mulher com 75 anos, acima do peso, com hipotonia muscular e/ou frouxidão dos ligamentos plantares?

É verdade que, com a idade, existe forte tendência ao desabamento parcial do arco plantar que faz o pé “crescer” e daí a pessoa tem de adotar sapatos um número maior. Mulheres mais velhas devem pensar também na estabilidade, pois as quedas devido a calçados inadequados ou soltos são muito comuns.

O que torna um sapato estável?
Um calçado oferece estabilidade quando o pé inteiro está bem apoiado, e não apenas o metatarso (parte anterior do pé), se o peso do corpo está distribuído entre a parte da frente e o calcanhar e o solado adere bem ao chão sem ser escorregadio. Um sapato é estável quando tem tiras, por exemplo, elas mantêm o calçado fixo ao pé evitando que, ao caminhar, o pé se solte e o calçado se arraste, criando condições para o tropeço.

O uso de saltos é desaconselhável?
Sapatos e sandálias de saltos altos deslocam os pontos de apoio dos pés e a projeção do centro de gravidade (que deveria cair em um ponto imaginário no meio da área entre os dois pés) se desloca para a frente. Essa postura causa uma sobrecarga na musculatura das pernas e da coluna, nos feixes musculares que suportam a coluna para manter o equilíbrio. Além disso, o deslocamento dos pontos naturais de apoio dos pés faz jogar o peso de todo o corpo sobre as articulações metatarso-falangeanas (entre os artelhos e o meio do pé).

O uso de salto muito alto obriga a mulher a assumir uma postura perigosa. Se está parada, os joelhos entram em hipertensão, a pelve gira para a frente, aumenta a curva natural na região lombar, o que pode causar dores nas costas, compressão no nervo ciático, entre outros problemas. Em movimento, usando saltos ela não conseguirá caminhar naturalmente apoiando-se primeiro no calcanhar e depois a parte anterior do pé ao dar o passo. Muitas vezes será obrigada a manter os joelhos um pouco dobrados e pousar primeiro o antepé.

Que formato e altura devem ter para não causar mal à coluna?
Mulheres que querem ou precisam usar salto durante muitas horas devem optar por saltos mais largos associados a pequenas plataformas, reduzindo o desnível entre o antepé (parte da frente do pé) e o retropé (calcanhar). Os modelos anabela respondem bem à tal necessidade.

Não se aconselham, porém, plataformas rígidas tomando o comprimento do pé (de madeira) que obrigam a manter os joelhos rígidos e o tronco ligeiramente inclinado para frente num grande esforço para manter o equilíbrio.

Sapatilhas e rasteirinhas, sem qualquer salto, também fazem mal para os pés?
Solados muito finos e moles carecem do amortecimento necessário para longas caminhadas ou uso prolongado. Quando usadas por muito tempo, as rasteirinhas estimulam — algumas vezes obrigam — a elevar muito os dedos ao caminhar, o que pode causar dor no peito e/ou na planta do pé. As sapatilhas, apesar de muito confortáveis têm solado muito fino, não absorvendo o impacto da pisada. Não devem ser usadas para longas caminhadas.

Quais os formatos perigosos — pontas bicudas, a pala de frente (que cobre o peito do pé) muito baixa ou muito alta, laterais baixas, tiras laterais ou traseiras que oferecem pouca estabilidade, etc.?
Sapatos que obriguem aos artelhos ficarem “espremidos” causam dor no momento e problemas nas articulações dos pés e na estabilidade da postura. Podem chegar a causar dores nas costas e cefaleias.

Quem faz questão de modelos com ponta bicuda deve escolher o calçado que mesmo com esse formato não aperte os pés, ou seja, o bico vai além da ponta dos dedos, dando a impressão de que os pés são maiores do que de fato são.

Como deve ser o solado – de que material (borracha ou couro), com que textura, com que espessura?
Solados devem absorver o impacto do peso do corpo contra o chão e de modo que não repercuta nas articulações das pernas e da coluna. Hoje, existem tecnologias específicas com esse objetivo, proporcionando conforto e maciez com baixo impacto. Todavia, existem pessoas que precisam de solados mais firmes devido a particularidades de seus pés. Essa orientação cabe ao ortopedista depois de uma avaliação clínica e/ou radiológica.

O joanete, muito comum em mulheres mais velhas, é consequência de sapato errado? tem jeito de consertar?
O joanete pode ser resultado do uso prolongado de calçado inadequado, mas não é o único motivo. Condições musculares e ligamentares, a maneira de pisar, alterações nos joelhos, pelve, coluna e alterações neurológicas podem também ser responsáveis pelo problema. O uso de sapato certo não garante a correção dessa alteração que muitas vezes só será corrigida com cirurgia.

Contato: bushatsky@uol.com.br

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