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Envelhescer é um pouco como estar na adolescência: o mundo conhecido nos expulsa de sua casca, adiante, um mundo novo e, muitas vezes, assustador!

Envelhescer é um pouco como estar na adolescência: o mundo conhecido nos expulsa de sua casca, adiante, um mundo novo e, muitas vezes, assustador!

Como nós, os babyboomers, estamos fazendo barulho e reinventando a velhice. O desafio é vivê-la de um jeito muito diferente dos nossos pais. A pergunta é: será que vamos conseguir?

Quantos anos você tem? 50? Um pouco mais? 60? Parabéns, você é um ‘envelhescente”!

OK, isso não chega sequer a ser uma definição, mas é o melhor termo que nós, aqui do Fifties, conseguimos arranjar para definir os moradores dessa fase da vida, aqueles que não se identificam mais com o mundo dos jovens adultos e que estão longe de se considerar velhos. O termo, me disse um leitor do blog, é do Mario Prata, que fez uma crônica com esse nome publicada no livro 100 Crônicas, em 2007, pela editora Planeta do Brasil, e a gente empresta aqui porque é muito bom mesmo!

Pois é, se você é um envelhescente, já deve ter percebido: aos 50, um pouco antes, um pouco depois, a gente descobre que os rótulos que até ontem nos vestiam tão bem, não servem mais.

Curioso que esse tempo novo, feito de algumas perplexidades e muitos espantos, compartilha semelhanças com um outro tempo, que a gente viveu lá atrás, a adolescência. Surpreso?

Lembra quando você não se reconhecia mais no seu corpo e, da primeira menstruação ao primeiro orgasmo, tudo eram…estranhezas e desajeitos?

Lembra da agonia de pensar ‘no que eu vou ser agora que já cresci’ e da sensação de que ‘tudo que era sólido, desmanchava-se no ar“?  Lembra do desafio de ‘jamais confiar em ninguém com mais de 30 ou como os nossos pais‘? Lembra de se imaginar num contexto cuja complexidade você conseguia apenas intuir, lembra da vertigem de ler Admirável Mundo Novo, lembra de cantar “see me, feel me, touch me, heal me“,  lembra do medo? Lembra de enfrentar o medo mergulhando na vida? “Caía a tarde feito um viaduto e um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos“, cantava Elis Regina, tão linda de cor de rosa e logo depois morta por overdose!

Uma idade de desafios
Que os nostálgicos não me levem a mal, mas eram tempos doídos aqueles. O mundo, tal qual o conhecíamos, nos expulsava violentamente da sua casca, adiante…o ‘mundo dos nossos pais’,  brrrr!!!!!

Notaram a semelhança? Cá estamos, tal como adolescentes de cabelos ralos e brancos, tentando nos ajeitar num tempo novo. Atrás de nós, a vida que já vivemos, à frente, os quase 30 anos que a ciência garante que ganhamos em relação aos nossos ancestrais e, de modo geral, sem ter a menor ideia do que vamos fazer com eles. Quer alguns fatos? Pegue um cafezinho e volte…

  • Segundo a Organização Mundial de Saúde, idoso em países desenvolvidos é quem tem mais de 65 anos. Nos países em desenvolvimento,  a idade mínima para alguém ser considerado idoso cai para 60 anos;
  • Daqui a menos de 30 anos, a expectativa de vida  nos  países desenvolvidos chegará a 87,5 anos para os homens e 92,5 para as mulheres, contra 70,6 e 78,4, respectivamente, em 1998. Nos países em desenvolvimento a expectativa é de 82 para homens e 86 para as mulheres, ou seja, 21 anos a mais do que os  62,1 e 65,2 atuais;
  • O relatório Previsõesda Organização Mundial da Saúde (ONU), de 2007, informa que o número de pessoas com mais de 60 anos nos próximos 42 anos vai triplicar e os idosos vão representar ¼ da população mundial projetada, o equivalente a 2 bilhões de indivíduos.

Os novos-velhos somos nós
O mais curioso é que quando eu leio esses números, me dou conta de que não é de mim  especificamente que eles falam, é de nós, os baby boomers, nós, que nascemos na onda de desenvolvimento e bem-estar  que, logo depois da Segunda Guerra, fez aumentarem as esperanças e os bebês do mundo, nós que hoje temos entre 49 e 67 anos, quer dizer, que nascemos entre 1946 e 1964. Esses novos velhos, pasmem, somos…nós!!!

Os baby boomers vão envelhecer juntos
Além de definir um momento de transformações e de dúvidas, a ideia de envelhecer passa por essa percepção de que somos coletivos, de fato dignos de estatísticas.

A faixa etária que vai dos 70 aos 90 anos e adiante não existia no calendário humano, apenas uns poucos e pontuais indivíduos viviam tanto e viviam como um momento solitário e apartado.  A partir de nós, de mim e de você, e de forma inédita na história, o  envelhecimento, será vivido como uma experiência coletiva e compartilhada globalmente.

Dizem que fomos adolescentes contestadores, apostam que vamos reinventar a velhice, insistem que não vamos envelhecer ‘como nossos pais’.  Nas nossas costas, meio doloridas, cá prá nós, o peso de construir não apenas algo ‘novo’, mas algo melhor.

Fico pensando que o caráter coletivo dessa experiência de envelhecer dá uma pista importante do caminho. Quem quer envelhecer sozinho com suas lembranças? Estamos na vida, estamos no jogo, estamos até nas redes e, no mínimo por conta disso, podemos nos sentir pertencentes, incluídos. Emprestamos o verso do poeta Vinícius de Moraes e desafiamos a nostalgia: “Nosso tempo é quando”…e é agora!

Nosso jeito de estar nessa, me parece, é estar nessa, juntos…vamos?

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30 pensamentos em “Os envelhescentes

    • Monica querida, é verdade, são estranhos, mas talvez seja só porque a gente sempre vive pela primeira vez…com olhares espantados ou aflitos que viajantes rumo ao desconhecido! bj prá vc

  1. Gostei muito.Foram, são, nossos tempos
    .Ainda somos a geração que está abrindo os caminhos para uma nova forma de viver.Para nós agora o como envelhecer ???

    • Excelente, Itamar, obrigada, achamos a crônica do Mario Prata e vamos publicar para o pessoal conhecer a origem do termo…obrigada e fique por aqui conosco, tá?

      • Vc viu a crônica publicada, Itamar? Já que vc parece conhecer bem literatura, mande coisas legais sobre esse tema para nós. São alimentos para reflexões tão necessárias que temos e que teremos que fazer daqui em diante, não é?

  2. Pingback: Você é um Envelhescente? | Fifties

  3. O texto é bastante apropriado e eu me identifico muito com o tema. Só recomendo fazer uma correção no português. Acredito que a palavra envelhecer não tem s no meio. Portanto o neologismo “envelhecente” também não deveria ter
    Abs
    Fabio

    • Concordo, Fábio, mas intuo que o Mário Prata desejou criar um vocábulo que parecesse com adolescente. E aí saiu o evenlhescente. Ou aquela pessoa de idade provecta, como eu que tenho 73 anos, que sai por aí para aproveitar a vida. Obrigado.

      • Também achamos isso, Fabio! Nos pareceu justamente um paralelo que o autor quis fazer com a palavra adolescentes…

  4. Adorei ! Nossa geração é muito ativa e criativa sei que transformamos nossa realidade e vamos continuar provocando mudanças , estamos contribuindo para o desenvolvimento do plano divino para a humanidade. Me sinto feliz de fazer parte dessa geração.

  5. Bom dia. Parabéns pela iniciativa !!! Gostei muito dessa visão otimista e quero passear por aqui com frequência. Acredito,sim, que a nossa geração é sempre inovadora…em qualquer fase! E achei a ideia de juntar essas pessoas e suas histórias, antes de tudo, terapêutica!!! Envelhecer é um processo que necessita carinhos, atenção e identificação. Parabéns.

  6. Que bom que não estou sozinha…Às vezes eu me sentia contra a maré e não entendia o porquê…é isto vontade de viver…de fazer acontecer…deixar para traz um estereótipo que não me pertence…velho,EU??

  7. Já fui criança….ja fui aborrecente….adolescente…adulta…já tive 50 anos…adorava… cada dez que passavam eu ficava mais feliz… agora tenho 84 e tenho a aparencia de 70 ,,,,sou feliz ainda porque posso viver todas as vidas que já vivi….não me sinto velha…sou uma idosa.

    • Muito bom, Daisy, linda essa sua reflexão…hoje recebemos aqui no blog um texto desses que correm pela internet sem autor. Tem uma fala parecida com a sua, um jeito de pensar a velhice como conquista. Veja só:

      “Eu nunca trocaria os meus amigos surpreendentes, a minha vida maravilhosa, a minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Tornei-me o meu próprio amigo… Eu não me censuro por comer um cozido à portuguesa ou uns biscoitos extras, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo supérfluo que não precisava. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante e … livre!

      Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo chorar por um amor perdido … Eu vou!

      Vou andar na praia com um calção excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.

      Eles, também, vão envelhecer.
      Eu sei que às vezes esqueço algumas coisas. Mas há mais algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.

      Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

      Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

      Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
      Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
      Eu ganhei o direito de estar errado.

      Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser idoso. A idade me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer)”.

  8. Não está fácil envelhecer,mas diante de tanto otimismo estou achando que realmente nossa geração abriu portas e continuará abrindo-as.

    • / Thanks for your suggestions, Maggie. Probably a good idea to stop and assess where we are before plunging in further. So far, though, mu organic repnhioastil-based approach continues to feel most right to me and may slowly be yielding some interesting and potentially promising results. I'll keep you posted!

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