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Será que viver por algum tempo sem um companheiro é tão catastrófico? Sylvia Loeb responde. Mande você também sua dúvida para a psicanalista no email fifties50mais@gmail.com

Será que viver por algum tempo sem um companheiro é tão catastrófico? Sylvia Loeb responde. Mande você também sua dúvida para a psicanalista no email fifties50mais@gmail.com

Sylvia,

No final do mês, entro numa idade perigosa, 57! Estou muito assustada. Não só pela passagem do tempo, mas também por estar separada após 15 anos de união.

Não me vejo e não quero ficar sozinha, ainda tenho muita vida para viver, vontade de amar e de ser amada, mas como disse, tenho medo. Medo de encontrar outra pessoa, medo de que não dê certo, mas o grande terror é o de me mostrar nos meus cinquenta e sete anos. A pele não é a mesma, as formas também não…

Em poucas palavras, acho que não vou ter coragem de tirar a roupa diante de outro homem.

Não gosto de sair em grupo de mulheres, parece que estamos todas em exposição, isso me humilha. Ao mesmo tempo, sair sem uma companhia masculina, também me deixa sentindo mal. Imagino que as pessoas estão dizendo: “Olha a coitada, sozinha…”

Nunca tive tanta paquera de homem casado, acho que pensam que é mais fácil pegar mulher separada. Chato isso. Amigas me cortaram da relação de amizade, será que agora me veem como rival?

Enfim, preciso de ajuda para encontrar um novo modo de encarar a vida, pois esse, de que mulher sozinha vale menos, me deprime muito.

Solange”

Olá Solange,

Você vive o que a grande maioria de mulheres na nossa cultura patriarcal experimenta ao se ver sem um companheiro. Somos produto de uma cultura em que a mulher, apesar de grandes conquistas, ainda é mal vista quando sozinha, ou seja, no imaginário nosso e dos outros, valemos menos porque não temos um marido, namorado, amante, ou somos vistas como ameaçadoras da estabilidade conjugal.

Se quiser sair dessa posição, e parece que quer muito, vai ter que fazer um trabalho de reconstrução de identidade: você tem atributos que valem muito.

Em primeiro lugar, hoje em dia, ter 57 anos não é o mesmo que antigamente, quando as mulheres ficavam idosas depois dos quarenta.

É só olhar para o mundo, para fora de você, abrir os olhos para as revistas, as notícias, talvez para as mulheres que andam à sua volta. Muitas delas alinhadas, elegantes. Outras, um tanto impróprias, querendo parecer o que já não são.

Primeiro ponto então: cuidar de você, de sua aparência, de sua saúde, tirando partido do melhor que tem. Lembre-se que já foi amada pelo que foi e se tiver que encontrar outro companheiro, será pelo que é, nesse momento.

Sua pele não está tão fresca, seus contornos não tão perfeitos? Ora, você viveu uma vida, seu corpo mostra as marcas pelas quais passou. Nosso corpo é nossa história. Se isso não for motivo de orgulho, então estamos mal, pois a passagem do tempo é inexorável. Lembrar que seu eventual futuro companheiro também deve ter tido uma vida que o marcou, o que deixa rastros em todos nós, homens e mulheres.

A não ser que você deseje um jovem surfista! Também é uma escolha com a qual você deve arcar.
Mas se quiser um homem adequado a você, VOCÊ é quem vai escolher, VOCÊ é quem vai decidir se ele lhe serve ou não.

O comentário que você fez de que não gosta de sair com as amigas porque parecem que estão todas em exposição explicita muito a posição em que a mulher se coloca: passivas, a espera de serem escolhidas.
Ora! Que lugar é esse? Você não decidiu sua profissão, não escolheu como levar a vida, seu último companheiro? Ao aceitar a presença dele, você afirmou seu desejo. Nós mulheres não nos damos conta que estamos fazendo opções o tempo todo: o que comemos, com quem saímos, como gastamos o nosso dinheiro, o nosso tempo de lazer, etc. A não ser que sejamos absolutamente carentes de tudo, ou nos sintamos absolutamente destituídas, então nos deixamos levar. Mas isso os homens também fazem quando se sentem assim, como às vezes nos sentimos.

O que quero dizer é para não abrir mão de suas escolhas, de seus desejos, de sua experiência de vida, de suas marcas, até mesmo de suas cicatrizes, físicas ou emocionais.

Nosso corpo é um retrato do que vivemos, nossa mente, nossas emoções estão aí para transformar todas essas vivências em experiências valiosas de onde vamos poder tirar coragem para enfrentar a vida, cheia de acontecimentos.

E por último, porém talvez da maior importância. Será que viver por algum tempo sem um companheiro é tão catastrófico?

Que tal fazer novos programas, conhecer pessoas, experimentar outras possibilidades que, tenho certeza, desejava, mas que estava impossibilitada de viver? Que tal poder imaginar e realizar sonhos almejados, porém que estavam distantes de poderem ser vividos? Que tal ousar mais?

Em outras palavras, aproveitar esse tempo de entressafra para saber mais de você, para preencher sua vida com outros assuntos que não seja apenas o desejo de encontrar um príncipe encantado que venha salvá-la de sua triste vida.

Principalmente para você não correr o perigo de se enganar ao escolher um príncipe que pode que se transformar em um sapo feio.

Principalmente porque não existe príncipe encantado e porque você não é mais uma princesinha.

Como disse Guimarães Rosa:

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”.

Abraços

Sylvia Loeb

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